Estados Unidos criam programa de triagem de testosterona para militares com 30 anos ou mais
O Secretário da Guerra dos EUA, Pete Hegseth, instituiu a triagem de deficiência de testosterona nas tropas, com exames anuais obrigatórios para militares a partir de 30 anos. A medida ocorre enquanto a FDA propõe flexibilizar a prescrição de terapias de reposição hormonal
O Secretário da Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou nesta quarta-feira (15) a criação de um programa de triagem para identificar a deficiência de testosterona entre as tropas. A iniciativa visa garantir que os militares operem em seu desempenho máximo, estabelecendo exames anuais obrigatórios para profissionais com 30 anos ou mais. Para aqueles com idade inferior, a participação nos testes será voluntária.
A medida surge em paralelo a movimentos de outras autoridades da administração Trump, incluindo o Secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., para facilitar a prescrição de terapias de reposição hormonal. Recentemente, a FDA propôs a flexibilização das regras para a prescrição de injeções, adesivos, comprimidos e géis de testosterona, que atualmente são indicados apenas para casos de hipogonadismo.
Implementação e controvérsias
Embora Hegseth tenha dirigido seu anúncio às tropas de forma genérica, a triagem foca em irregularidades hormonais masculinas. O Secretário enfatizou que a adesão à terapia de reposição será voluntária e negou que a iniciativa tenha como objetivo o aprimoramento artificial do organismo.
O Pentágono, contudo, não detalhou quais doenças ou condições clínicas a política pretende combater, nem apresentou as pesquisas acadêmicas que fundamentam a decisão. Também não houve esclarecimentos sobre a possibilidade de triagens para militares do sexo feminino visando a redução de estrogênio durante a perimenopausa.
A questão do uso de substâncias hormonais já é alvo de vigilância nas forças armadas. Os Navy SEALs, especificamente, passaram por escrutínio devido ao uso de testosterona para ganho de performance. Em resposta, a Marinha implementou testes toxicológicos para detectar substâncias químicas ou farmacológicas que promovam o crescimento muscular.
Contexto médico e regulatório
A decisão de Hegseth ocorre em um cenário de debate médico sobre o diagnóstico e tratamento da queda natural de testosterona, que ocorre com o envelhecimento e pode causar ganho de peso, alterações de humor, baixa libido e disfunção erétil.
No âmbito regulatório, a FDA removeu no ano passado o alerta de risco (boxed warning) sobre a possibilidade de derrames e ataques cardíacos associados a esses medicamentos. Estudos dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) indicam que a reposição melhora a função sexual e o humor em homens mais velhos, com possíveis ganhos em densidade óssea, força física e massa muscular, embora apresente pouco efeito sobre memória, fadiga ou bem-estar geral.
Apesar disso, as diretrizes médicas atuais não recomendam exames de rotina para a população geral. A orientação é que a terapia seja discutida apenas com pacientes que apresentem sintomas e níveis comprovadamente baixos em dois exames de sangue distintos, realizados preferencialmente pela manhã e em jejum, devido à oscilação hormonal diária.
Histórico de gestão de saúde
Esta não é a primeira medida polêmica de Hegseth na área da saúde militar. Em junho, a suspensão da vacinação obrigatória contra a gripe em uma base da Força Aérea no Texas resultou em uma epidemia que infectou 300 militares e causou ao menos uma morte. Na ocasião, a medida foi revertida e a imunização retomada.