Estados Unidos deportam cubano para o México apesar de decisão judicial que proibia a extradição
O governo dos Estados Unidos deportou o cubano Lázaro Romero León para o México, descumprindo a proibição de um juiz federal. O imigrante, com histórico criminal, retornou aos EUA em 8 de maio após três meses de indigência
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O governo dos Estados Unidos deportou o cidadão cubano Lázaro Romero León, de 59 anos, para o México, ignorando uma decisão de um juiz federal que proibia a extradição. O caso ocorreu em meio a uma intensificação das operações antimigratórias implementadas no segundo mandato de Donald Trump, que assumiu a presidência em janeiro de 2025.
Romero León residia em Porto Rico desde a década de 1990, após passagens por Miami, Tennessee e Los Angeles. Embora possuísse uma ordem de expulsão desde 2002, ele vivia legalmente sob supervisão do Immigration and Customs Enforcement (ICE), órgão ao qual se apresentava periodicamente há 28 anos.
Detenção e erro processual
A captura ocorreu em 20 de maio de 2025, em Aguadilla, Porto Rico. Após ser detido, o imigrante passou por centros de custódia na Califórnia e no Arizona. Diante da recusa de Cuba em aceitá-lo de volta, o ICE notificou que ele seria enviado a um terceiro país.
Para evitar a deportação, a defesa de Romero León obteve um habeas corpus no Distrito Central da Califórnia. O juiz Hernán Diego Vera determinou explicitamente a proibição do transporte do peticionário para o México até que o processo legal fosse concluído. No entanto, em 16 de fevereiro, o governo americano admitiu um "erro de comunicação" e efetuou a deportação para o sul do México.
Crise humanitária e retorno
Após a expulsão, Romero León enfrentou quase três meses de indigência em Tapachula, no estado de Chiapas. Sem documentos ou dinheiro, ele chegou a viver nas ruas e foi detido por agentes migratórios mexicanos, sendo posteriormente deixado na fronteira com a Guatemala.
O retorno aos Estados Unidos ocorreu apenas em 8 de maio, após sucessivas tentativas frustradas de transporte terrestre e a intervenção de sua advogada, Margaret Farrand. Mediante um salvo-conduto e coordenação entre as autoridades de ambos os países, ele viajou para Tijuana e cruzou a fronteira em San Ysidro. Atualmente, ele reside em Palmdale, na Califórnia, e permanece sob supervisão do ICE em Los Angeles.
Contexto das deportações em massa
A situação de Romero León reflete uma mudança drástica na política migratória americana. Historicamente, imigrantes cubanos não eram prioridade para deportação devido à falta de acordos com Havana. Contudo, a gestão Trump expandiu os convênios com "terceiros países" para viabilizar expulsões. Entre as nações que aceitam esses imigrantes estão Costa Rica, Camarões, Equador, El Salvador, Gana, Honduras, Panamá e Essuatíni.
Embora a presidente do México, Claudia Sheinbaum, tenha descartado a existência de um contrato público para esse fim, o país tem recebido milhares de estrangeiros. Dados recentes indicam a magnitude do movimento:
- Instituto Cato: As prisões de cubanos pelo ICE saltaram de menos de 200 por mês no fim de 2024 para mais de 1.000 mensais em 2025.
- Human Rights Watch: Entre janeiro de 2025 e março de 2026, quase 13 mil estrangeiros foram enviados ao México, sendo 4.353 deles cubanos.
- Acordos informais: Um juiz federal mencionou que o Departamento de Segurança Nacional (DHS) teria deportado 6 mil cubanos para o México no último ano.
Histórico criminal e justificativa governamental
O governo classificou Romero León como um "imigrante ilegal criminoso". O histórico do cidadão inclui condenações por agressão física à cônjuge (1997), tentativa de transporte de maconha para venda (2000), além de falsificação de carteira de motorista e informações falsas (2001).
O governo americano defende a legalidade dos processos, afirmando que a aplicação da lei é rigorosa e que imigrantes com sentenças judiciais não são bem-vindos no país. Já a Human Rights Watch aponta que a maioria dos cubanos deportados para o México possuía residência permanente, perdida em razão de delitos, muitas vezes de natureza leve, como dirigir sob efeito de álcool.