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Estados Unidos e Arábia Saudita firmam acordo de cooperação nuclear para enriquecimento de urânio civil

22 de Julho de 2026 às 18:21

Estados Unidos e Arábia Saudita firmaram acordo de 30 anos para cooperação nuclear, permitindo ao reino o enriquecimento de urânio para fins civis. A medida, com assinatura prevista para esta quarta-feira, depende de análise do Congresso americano em até 90 dias. O pacto prioriza empresas dos EUA na infraestrutura do setor e visa diversificar a matriz energética saudita

Estados Unidos e Arábia Saudita firmam acordo de cooperação nuclear para enriquecimento de urânio civil
Reuters

Os governos dos Estados Unidos e da Arábia Saudita fecharam um acordo de cooperação nuclear com validade de 30 anos, que permite ao reino árabe realizar o enriquecimento de urânio como parte de seu programa civil. O documento deve ser assinado nesta quarta-feira (22), na Casa Branca, estabelecendo a base legal para que empresas americanas participem do desenvolvimento da infraestrutura nuclear saudita e tenham prioridade na disputa por contratos do setor.

Apesar do acordo, a implementação definitiva depende da análise do Congresso dos EUA. Os parlamentares possuem um prazo de 90 dias para revisar e votar a medida. Caso haja um veto do Executivo, seria necessária uma maioria de dois terços em ambas as Casas do Congresso para reverter a decisão.

Impactos estratégicos e econômicos

Para Washington, o pacto assegura a posição dos Estados Unidos como o principal parceiro do programa nuclear saudita, limitando a influência de concorrentes como China, Rússia, França e Coreia do Sul. Além de abrir um mercado bilionário para companhias americanas, o governo Trump considera que a participação direta permitirá monitorar e influenciar mais proximamente o desenvolvimento tecnológico do reino.

Do lado saudita, a meta é diversificar a matriz energética e reduzir a emissão de carbono. O governo pretende utilizar a energia atômica para alimentar sistemas de ar-condicionado e a dessalinização da água do mar, diminuindo a dependência de petróleo e gás na geração elétrica interna para ampliar a exportação desses combustíveis. Em janeiro de 2025, a Arábia Saudita já havia manifestado a intenção de enriquecer urânio para a produção de yellowcake, o concentrado utilizado como matéria-prima para o combustível nuclear.

Riscos de proliferação e tensões regionais

O acordo ocorre em um cenário de instabilidade no Oriente Médio, com o acirramento de conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A medida enfrenta resistência de autoridades internacionais e parlamentares americanos, que alertam para o risco de uma corrida armamentista na região.

A preocupação central reside no fato de que a tecnologia de enriquecimento de urânio, embora voltada para fins civis, pode ser desviada para a produção de armas nucleares. O texto atual não obriga a transferência imediata de tecnologia nem a construção de usinas pelos EUA, mas omite duas salvaguardas fundamentais:

  • O padrão ouro, que impediria o país de reprocessar combustível nuclear usado ou enriquecer urânio para evitar fins bélicos;
  • O Protocolo Adicional da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que expandiria a fiscalização de inspetores internacionais.

A rivalidade com o Irã

A relação entre Riade e Teerã é um ponto crítico do debate. O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman afirmou que a Arábia Saudita buscará a arma nuclear o mais rápido possível caso o Irã desenvolva tal capacidade.

Críticos do pacto argumentam que a decisão de Washington enfraquece a coerência da política externa americana, já que os Estados Unidos utilizam a oposição ao enriquecimento de urânio em território iraniano como justificativa para suas campanhas militares e pressões diplomáticas contra o governo do Irã.

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