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Estados Unidos e Arábia Saudita firmam acordo que permite o enriquecimento de urânio no reino

24 de Julho de 2026 às 09:09

Estados Unidos e Arábia Saudita assinaram um acordo de cooperação nuclear pacífica que permite ao reino realizar o enriquecimento de urânio em seu território. O pacto, anunciado em 22 de julho, concede a empresas americanas acesso ao programa de energia nuclear saudita e inclui um acordo bilateral de salvaguardas

Os Estados Unidos e a Arábia Saudita firmaram um acordo de cooperação nuclear pacífica que pode alterar a dinâmica de segurança no Oriente Médio ao permitir que o reino do Golfo realize o enriquecimento de urânio em seu próprio território. A medida, anunciada pelo Departamento de Energia dos EUA em 22 de julho, abre caminho para que empresas americanas tenham amplo acesso ao programa de energia nuclear saudita.

O pacto ocorre após a visita do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman a Washington, em novembro do ano passado. Segundo o governo saudita, a iniciativa expande a cooperação energética já existente entre as duas nações. A Arábia Saudita tenta implementar um programa nuclear civil desde 2010, embora a Associação Nuclear Mundial aponte que o país ainda não possui usinas nucleares nem capacidade de produção de energia do tipo.

Riscos de proliferação e exceções diplomáticas

A possibilidade de a Arábia Saudita enriquecer urânio localmente é vista como uma exceção rara na política externa americana. Atualmente, os EUA possuem acordos de cooperação nuclear com cerca de 50 países, mas apenas o Japão e a Índia detêm permissão para o enriquecimento interno. As demais nações, incluindo os Emirados Árabes Unidos, são obrigadas a importar combustível nuclear e são proibidas de reprocessar materiais usados em reatores para recuperar plutônio ou urânio.

A preocupação central reside na dualidade do processo de enriquecimento. Enquanto o urânio é essencial para a geração de energia, a capacidade de produzi-lo internamente aumenta o risco de desenvolvimento de armamentos. Rosemary Kelanic, do centro de estudos Defense Priorities, destaca que a assistência americana para enriquecimento territorial é inédita e eleva o risco de proliferação nuclear em uma região instável.

Essa tensão é acentuada pelo conflito prolongado entre os EUA, Israel e o Irã. Washington e Tel Aviv justificam ataques recentes ao Irã como medida para impedir que Teerã desenvolva armas nucleares, plano que o governo iraniano nega. Em 2018, Mohammed bin Salman afirmou à CBS News que, embora não planeje adquirir tal arma, a Arábia Saudita faria o mesmo rapidamente caso o Irã conseguisse desenvolver uma bomba.

O processo técnico do enriquecimento de urânio

O urânio natural é composto majoritariamente pelo isótopo U-238 (mais de 99%), que não sustenta reações nucleares em cadeia. Apenas 0,7% é composto pelo U-235, o isótopo capaz de liberar energia via fissão nuclear. Para tornar o material útil, é necessário aumentar a concentração de U-235 através de centrífugas de alta velocidade, que separam os isótopos por diferença de peso.

A finalidade do material é definida pelo nível de enriquecimento:

  • Uso civil: O urânio com 3% a 5% de U-235 é utilizado em usinas comerciais, onde a reação é controlada e lenta.
  • Pesquisa: Níveis a partir de 20% são destinados a reatores de pesquisa.
  • Uso militar: O grau militar exige enriquecimento próximo a 90%, permitindo que a reação nuclear ocorra de forma imediata e explosiva.

Para mitigar esses riscos, o Departamento de Energia dos EUA informou que, além do acordo de cooperação, foi assinado um acordo bilateral de salvaguardas. O conjunto de documentos visa criar uma base legal para uma parceria estratégica e econômica de longo prazo, avaliada em bilhões de dólares, com o objetivo declarado de promover a não proliferação nuclear.

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