Estados Unidos indiciam Raúl Castro por homicídios e derrubada de aeronaves civis em 1996
Estados Unidos indiciaram Raúl Castro e outras cinco pessoas por quatro homicídios, destruição de duas aeronaves e conspiração. As acusações referem-se à derrubada de aviões do grupo "Brothers to the Rescue" em 1996. O governo de Cuba classificou a medida como manobra política
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O governo de Cuba reagiu ao indiciamento criminal de Raúl Castro pelos Estados Unidos, classificando a medida como uma manobra política desprovida de fundamentação jurídica. A acusação, tornada pública nesta quarta-feira (20) por meio de registros judiciais, recai sobre o ex-presidente de 94 anos e inclui quatro homicídios, a destruição de duas aeronaves e conspiração para matar cidadãos americanos. Outras cinco pessoas também figuram como rés no processo.
O centro do litígio envolve a derrubada de dois aviões civis em fevereiro de 1996, pertencentes ao grupo de exilados anticastristas "Brothers to the Rescue". O incidente resultou na morte de quatro tripulantes, sendo três deles americanos. Na época, Raúl Castro exercia a função de ministro da Defesa, enquanto a presidência da ilha era ocupada por seu irmão, Fidel Castro.
A trajetória de Raúl Castro é marcada por sua atuação como guerrilheiro ao lado de Fidel e Che Guevara na Sierra Maestra em 1958, culminando na deposição do ditador Fulgencio Batista e na implementação do regime socialista. Durante cinco décadas como ministro da Defesa, coordenou o envio de centenas de milhares de militares para conflitos de independência em Angola e outras nações africanas, configurando o maior destacamento de forças armadas de um país latino-americano fora da região.
Após assumir a presidência em 2008, sucedendo Fidel, Raúl adotou uma gestão pragmática. Implementou reformas econômicas que permitiram a venda de imóveis e o crescimento do setor privado, além de flexibilizar viagens ao exterior e libertar opositores. Em 2014, promoveu o restabelecimento das relações diplomáticas com Washington, processo de aproximação que foi interrompido em 2016 com a chegada de Donald Trump à Casa Branca. Raúl permaneceu no poder até sua aposentadoria em 2021, quando transferiu o cargo para o atual presidente, Miguel Díaz-Canel.
Atualmente, a relação entre Havana e Washington atravessa um período de forte tensão. Desde a captura de Nicolás Maduro em janeiro, os Estados Unidos intensificaram a pressão por reformas políticas e econômicas em Cuba, exigências que o governo cubano rejeita sob a justificativa de soberania nacional. Como resposta, Washington impôs um embargo petrolífero que agravou a crise energética da ilha, somado a uma ordem executiva assinada por Donald Trump em 1º de maio, que amplia sanções econômicas, financeiras e comerciais vigentes há mais de sessenta anos. O cenário é agravado por declarações de Trump sugerindo que Cuba seria o próximo alvo, tornando plausível a possibilidade de uma agressão militar.