Ex-assistentes revelam rede de manipulação e abuso sexual operada por Jeffrey Epstein
Ex-assistentes de Jeffrey Epstein relataram a operação de uma rede de abuso sexual e manipulação baseada em controle financeiro, vigilância e falsas promessas profissionais. As vítimas, atraídas por recrutadores, eram submetidas a isolamento, violência física e pressões para recrutar novas mulheres. O esquema envolveu a exploração de vulnerabilidades e a criação de dependência total do financista
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Relatos de ex-assistentes revelam a complexa rede de manipulação e abuso sexual operada pelo financista Jeffrey Epstein, que utilizava táticas de controle coercitivo para manter mulheres sob seu domínio. Uma das vítimas, identificada como Anya, detalhou como o esquema funcionava, descrevendo a operação como uma espécie de seita, na qual Epstein atuava como o líder absoluto.
As vítimas eram atraídas por falsas promessas de emprego e oportunidades profissionais, especialmente no mercado de moda. No caso de Anya, o aliciamento começou em Paris, por meio do recrutador Daniel Siad — encontrado morto recentemente na França, com a causa da morte sob investigação. Siad, cujo nome aparece repetidamente nos documentos governamentais conhecidos como arquivos Epstein, teria apresentado a jovem ao financista sob a premissa de que ele possuía contatos influentes na indústria.
O mecanismo de controle e isolamento
O processo de dominação era gradual e planejado para anular a percepção de perigo. Epstein utilizava a vulnerabilidade das vítimas, monitorando obsessivamente seus corpos e controlando rigorosamente suas finanças e interações sociais. As mulheres, que viviam em imóveis fornecidos por ele em Nova York e outras localidades, eram submetidas a humilhações psicológicas e abusos sexuais recorrentes.
A estratégia de controle incluía:
- Dependência total: As assistentes não possuíam contas bancárias próprias nem documentação para alugar imóveis, tornando-se dependentes do agressor até para cuidados médicos.
- Vigilância: O uso de telefones monitorados e a proibição de sair de casa sem autorização prévia.
- Manipulação interpessoal: Epstein incentivava conflitos entre as assistentes para evitar a criação de vínculos de apoio mútuo.
- Coerção documental: As vítimas eram forçadas a escrever "cartas de gratidão" e a gravar vídeos em situações comprometedoras, que serviam como prova de consentimento forjado para evitar denúncias.
Exploração e violência física
A manipulação profissional era usada como ferramenta de tortura psicológica. Anya relata que Epstein simulava reuniões com agências de modelos, como a Next Management, para posteriormente alegar que ela havia sido rejeitada por estar "fora de forma". Esse ciclo de expectativa e fracasso era desenhado para deixar a vítima isolada e vulnerável ao ataque.
A violência também se manifestava de forma física e invasiva. Anya foi submetida a duas cirurgias desnecessárias para a remoção de uma tatuagem, por insistência de Epstein, o que resultou em cicatrizes permanentes em seu abdômen.
Expansão do esquema e repercussões
Após ser condenado em 2008 por abusar de uma adolescente, Epstein alterou seu perfil de recrutamento, focando em mulheres adultas, principalmente da Rússia e do Leste Europeu. Parte da engrenagem de expansão dependia das próprias vítimas: cada assistente era pressionada a recrutar ao menos outra mulher jovem para o grupo.
O depoimento de Anya é corroborado por Sarah Kellen, outra ex-assistente que testemunhou perante o Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, confirmando que o financista se apresentava como o "salvador" de suas vítimas.
Ambas as mulheres receberam indenizações do Fundo de Compensação para Vítimas de Epstein. Anya deixou o círculo de abusos após a morte do financista, em 2019, quando foi compelida a deixar seu apartamento em Manhattan por Mark Epstein, irmão de Jeffrey. Mark Epstein nega ter conhecimento dos crimes cometidos pelo irmão.