Ex-paciente de câncer vence a doença e se forma em medicina na Inglaterra
Ellie Waters-Barnes, de 25 anos, formou-se em medicina pela Universidade de Keele e iniciou sua atuação no Royal Stoke University Hospital. A profissional superou um diagnóstico de rabdomiossarcoma alveolar em estágio quatro, ocorrido aos 14 anos
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/3/7/dhrXgRRWSOm1HKyqK4tg/ellie-waters-barnes-acaba-de-se-formar-na-universidade-de-keele-em-staffordshire-na-inglaterra.jpeg)
Aos 25 anos, Ellie Waters-Barnes concluiu sua graduação na Universidade de Keele, na Inglaterra, transformando a superação de um diagnóstico grave na adolescência em motivação para a carreira médica. A nova profissional agora inicia sua formação no Royal Stoke University Hospital, levando consigo a perspectiva de quem vivenciou a jornada do paciente.
O diagnóstico e a luta contra o câncer
A trajetória de Waters-Barnes foi marcada por um cenário crítico em setembro de 2015, quando, aos 14 anos, foi diagnosticada com rabdomiossarcoma alveolar em estágio quatro. Na ocasião, a probabilidade de sobrevivência era de apenas 20%.
Para combater a doença, a jovem passou 18 meses sob cuidados no Queen's Medical Centre, em Nottingham. O protocolo terapêutico foi rigoroso e incluiu:
- Nove meses de quimioterapia intensiva;
- 28 sessões de radioterapia;
- Um ano de quimioterapia de manutenção.
Durante esse período, a paciente enfrentou a perda de cabelo, redução drástica de peso e a necessidade de alimentação por sonda.
Sequelas e impactos na educação
Embora curada, o tratamento deixou marcas permanentes. Aos 15 anos, Waters-Barnes entrou em menopausa precoce, condição que não foi detalhadamente explicada por seu oncologista na época. Nos anos seguintes, a jovem lidou com sintomas como ressecamento da pele, coceira, ondas de calor e suores noturnos.
Esses efeitos colaterais, somados às limitações físicas atuais, impactaram sua rotina escolar. Para conseguir as notas necessárias para ingressar na faculdade de medicina, a estudante chegou a repetir o 10º ano. Ela relata que os estudos em química e matemática serviram como um refúgio psicológico, permitindo que se desconectasse dos problemas de saúde enquanto não possuía energia para atividades sociais típicas da idade.
A transição para a medicina
A escolha pela profissão não ocorreu por causa da convivência hospitalar durante a doença, mas sim por um interesse crescente em documentários médicos e pesquisas sobre a própria condição após a alta.
Waters-Barnes acredita que ter sido paciente confere a ela a capacidade de compreender as prioridades e os desejos de quem está sob tratamento, definindo essa empatia como uma vantagem profissional. Atualmente, a médica mantém exames de rotina para monitorar sua saúde enquanto inicia sua atuação prática no sistema de saúde inglês.