Fifa investiga conduta da Argentina após episódios de violência na final da Copa do Mundo
A Fifa investiga a conduta da Argentina após confrontos físicos entre jogadores e comissão técnica contra a Espanha na final da Copa do Mundo. O processo, baseado no código disciplinar, pode resultar em multas à AFA e suspensões para os envolvidos
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A Fifa instaurou uma investigação para apurar a conduta da Argentina após episódios de violência registrados ao término da final da Copa do Mundo, no estádio MetLife, em Nova Jersey. O Comitê Disciplinar da entidade nomeou um procurador de disciplina e ética para analisar os fatos, o que pode resultar em suspensões para atletas e membros da comissão técnica, além de multas aplicadas à Associação de Futebol Argentino (AFA).
Dinâmica dos confrontos
A confusão teve início após a derrota argentina por 1 a 0 para a Espanha. Enquanto a equipe espanhola iniciava as comemorações do título, houve confrontos físicos entre os dois grupos. O estopim ocorreu quando o meio-campista Rodri, que havia sido substituído na prorrogação, foi atingido por um golpe no braço ou estômago desferido pelo defensor Nahuel Molina.
A agressão gerou uma reação em cadeia:
- Leandro Paredes atingiu o jogador Eric Garcia na região da garganta.
- Thiago Almada derrubou o reserva espanhol Gavi, que foi posteriormente empurrado ao chão por Paredes.
- O auxiliar técnico Roberto Ayala teria segurado Garcia pelo pescoço e agredido o meio-campista Dani Olmo.
Embora o sistema de informações da Fifa tenha registrado inicialmente a expulsão de Paredes pelo árbitro Slavko Vincic, a anotação foi removida e a entidade confirmou que nenhuma medida disciplinar foi tomada no momento do jogo. A única expulsão confirmada na partida foi a de Enzo Fernández, que recebeu o segundo cartão amarelo nos acréscimos do segundo tempo.
Possíveis sanções e base legal
A investigação será conduzida sob o Artigo 13 do código disciplinar, que trata de comportamento ofensivo e princípios de fair play. A conduta dos envolvidos pode ser classificada como violação de regras básicas de conduta decente e dano à reputação do futebol.
O procurador de ética poderá aplicar suspensões globais, avaliando circunstâncias atenuantes e agravantes. Como precedentes, a Fifa baniu por três anos o ex-presidente da federação espanhola, Luis Rubiales, e suspendeu por quatro meses o uruguaio Luis Suárez em 2014.
Histórico de indisciplina da AFA
A seleção argentina já acumula penalidades recentes por comportamento inadequado. Após a Copa do Mundo de 2022, a AFA foi multada em aproximadamente R$ 125 mil devido a gestos obscenos e provocações do goleiro Emiliano Martínez. O atleta também foi suspenso por dois jogos em 2024 por comportamento ofensivo nas Eliminatórias e por agredir um cinegrafista.
Além disso, Enzo Fernández precisou se desculpar por publicar um vídeo com cânticos considerados racistas pela Federação Francesa de Futebol após a Copa América de 2024.
Outras pendências disciplinares
A Argentina já enfrenta outro processo disciplinar nesta edição do torneio. Jogadores como Cristian Romero, Giovani Lo Celso e Lisandro Martínez podem ser suspensos por exibirem uma faixa com a frase "las Malvinas son Argentinas" após a semifinal contra a Inglaterra. Em 2014, a AFA foi multada em cerca de R$ 136 mil por conduta similar em um amistoso.
No âmbito individual, o jogador Gianluca Prestianni foi punido em abril com a suspensão de seis jogos (sendo três condicionais por dois anos) após ofensas racistas contra Vinicius Jr. durante partida entre Benfica e Real Madrid.
A Fifa ainda não estabeleceu um prazo para a conclusão da investigação sobre os incidentes da final.