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Governo de Donald Trump aprova acordo que permite enriquecimento de urânio na Arábia Saudita

22 de Julho de 2026 às 06:13

O governo de Donald Trump aprovou acordo que permite à Arábia Saudita enriquecer urânio para seu programa nuclear civil com apoio de empresas americanas por 30 anos. A medida depende de análise do Congresso dos EUA e de estudo conjunto para a construção de unidade de enriquecimento. O pacto não prevê a inclusão do Protocolo Adicional da Agência Internacional de Energia Atômica

Governo de Donald Trump aprova acordo que permite enriquecimento de urânio na Arábia Saudita
Evelyn Hockstein / Reuters

O governo de Donald Trump aprovou um acordo com a Arábia Saudita que possibilita ao reino o enriquecimento de urânio para a implementação de seu programa nuclear civil. A decisão, que ainda não foi oficializada, pode ser anunciada nesta quarta-feira e prevê a participação de empresas americanas no desenvolvimento do projeto ao longo de 30 anos.

A construção de uma unidade de enriquecimento de urânio em solo saudita dependerá de um estudo conjunto entre as duas nações. No entanto, a medida deve passar por análise do Congresso dos EUA, onde parlamentares podem manifestar resistência devido ao risco de estimular a proliferação nuclear e desencadear uma nova corrida armamentista na região.

Monitoramento e Segurança Internacional

Embora a Arábia Saudita integre a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão responsável por fiscalizar o uso pacífico da energia nuclear e evitar programas secretos de armamentos, o pacto não deve incluir o Protocolo Adicional. A ausência desse mecanismo limita a capacidade de monitoramento, inspeções e verificações rigorosas no país.

O cenário ocorre enquanto Estados Unidos e Israel mantêm ofensivas contra o Irã, visando impedir que Teerã desenvolva armamentos nucleares, apesar de o governo iraniano alegar que seu enriquecimento de urânio possui finalidades pacíficas.

Geopolítica e Riscos Nucleares

A possibilidade de operar centrífugas em território saudita levanta alertas sobre a criação de um eventual programa de armas. O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman já indicou que poderia buscar a bomba atômica caso o Irã consiga desenvolver a tecnologia.

Somando-se a esse contexto, a Arábia Saudita firmou um pacto de defesa mútua com o Paquistão após ataques de Israel contra autoridades do Hamas no Catar. Na ocasião, o ministro da Defesa paquistanês afirmou que o arsenal nuclear de seu país estaria disponível aos sauditas se fosse necessário, mensagem interpretada como um aviso a Israel, único país do Oriente Médio com armas nucleares confirmadas.

Comparativos e Processos Técnicos

O enriquecimento de urânio é uma etapa fundamental, mas não garante a criação de uma arma, exigindo ainda o domínio de explosivos de alta precisão sincronizados. Contudo, o processo facilita a militarização de programas nucleares.

Diferente do modelo adotado pelos Emirados Árabes Unidos, que construíram a usina de Barakah com apoio da Coreia do Sul via "acordo 123", a Arábia Saudita não aceitou a condição de não enriquecer urânio — critério considerado o padrão mais rigoroso para o desenvolvimento de energia nuclear civil.

A movimentação é fruto de esforços prolongados, já que tanto Donald Trump quanto Joe Biden tentaram viabilizar o compartilhamento de tecnologia nuclear com o reino. No ano passado, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, visitou a Arábia Saudita para discutir a expansão da indústria nuclear comercial com autoridades locais.

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