Governo de Tóquio incentiva o uso de bermudas no trabalho para enfrentar altas temperaturas
O governo de Tóquio incentiva o uso de trajes casuais, incluindo bermudas, para reduzir o consumo de energia e enfrentar o calor extremo. A medida gera debates sobre etiqueta e elevou a procura de homens por depilação a laser. Pesquisa da Gorilla Clinic indica que 53,5% dos entrevistados são contrários ao uso de bermudas no escritório
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Para enfrentar as temperaturas recordes e a alta nos preços da energia, o governo metropolitano de Tóquio está incentivando a adoção de trajes casuais no ambiente profissional. A iniciativa, liderada pela governadora Yuriko Koike, expandiu a campanha Tokyo Cool Biz para permitir que homens substituam o tradicional terno e gravata por camisetas, tênis e, recentemente, o uso de bermudas no trabalho.
Impacto social e a polêmica do "sunehara"
Embora a flexibilização do vestuário seja bem recebida por quem busca maior conforto térmico, a medida gerou debates sobre etiqueta e desigualdade de gênero. Algumas profissionais criticam a norma, alegando que as mulheres ainda enfrentam a expectativa social de utilizar meia-calça ao exporem as pernas.
Surgiu também o termo sunehara (assédio por pelos nas pernas), utilizado por mulheres para descrever o desconforto ao visualizar a pilosidade das pernas de colegas homens. Esse cenário impulsionou a procura de trabalhadores por serviços de depilação a laser, visando adequar-se a uma nova "etiqueta social" para evitar causar mal-estar a terceiros.
Uma pesquisa da Gorilla Clinic, especializada em estética, revelou que 53,5% dos entrevistados são contrários ao uso de bermudas no escritório, enquanto 46,5% apoiam. A resistência é maior entre o público feminino, fundamentada principalmente na aparência do corpo e nos pelos.
Histórico de combate ao calor no Japão
A estratégia de adaptar o vestuário para economizar energia não é nova. Em 2005, enquanto era ministra do Meio Ambiente, Yuriko Koike criou a campanha nacional Cool Biz, que promovia camisas de manga curta. Na época, a adesão de líderes políticos, como o ex-primeiro-ministro Junichiro Koizumi, que passou a dispensar o paletó e a gravata, ajudou a popularizar a medida.
Posteriormente, em 2011, após o terremoto e tsunami de Tohoku, o governo implementou o Super Cool Biz, ampliando as diretrizes de redução de consumo energético para as esferas profissional e doméstica. Atualmente, a tendência de roupas informais já era comum em startups e empresas de tecnologia, mas a chancela do governo de Tóquio tornou o estilo mais aceito socialmente.
Crise climática e riscos à saúde
A flexibilização do código de vestimenta ocorre em um contexto de alerta meteorológico. A Agência Meteorológica do Japão utiliza o termo kokusho-bi para classificar os "dias de calor extremo", quando os termômetros superam os 40°C. A alta umidade do país agrava a situação, pois dificulta a evaporação do suor e o resfriamento natural do corpo.
Os riscos são concretos: entre 6 e 12 de julho, a Agência de Gestão de Incêndios e Desastres registrou sete mortes por insolação e 4.580 internações hospitalares.
Para mitigar esses efeitos, a população tem adotado tecnologias como:
- Roupas com ventiladores embutidos;
- Ventiladores portáteis;
- Guarda-chuvas com proteção contra raios ultravioleta;
- Toalhas úmidas descartáveis.
A Rede Acadêmica Japonesa para Redução de Desastres reforça que a aclimatação é fundamental, recomendando que a preparação do corpo para as altas temperaturas comece ainda durante a temporada de chuvas, antes do pico do verão.