Houthis decretam bloqueio naval contra a Arábia Saudita no Estreito de Bab el-Mandeb
Houthis decretaram bloqueio naval contra a Arábia Saudita no Estreito de Bab el-Mandeb, reivindicando ataques a dois petroleiros. A região é rota de 9% do petróleo mundial, com a União Europeia alertando sobre riscos a navios dos Estados Unidos e Israel
Homens armados patrulham o Estreito de Bab el-Mandeb, conforme registros da emissora Al Arabiya divulgados nesta quinta-feira (23). As imagens mostram uma embarcação em chamas e uma lancha rápida equipada com metralhadora em uma região onde o tráfego marítimo tornou-se escasso.
A movimentação ocorre após os Houthis, grupo extremista do Iêmen com ligações ao Irã, decretarem um bloqueio naval contra a Arábia Saudita no Mar Vermelho na última segunda-feira (20). Na quarta-feira (22), os rebeldes, que controlam as áreas norte e oeste do Iêmen, reivindicaram ataques a dois petroleiros sauditas, fato corroborado por imagens da imprensa estatal iraniana.
Impacto no comércio global de petróleo
O bloqueio atinge o Bab el-Mandeb, conhecido como "Portão das Lágrimas", ponto estratégico que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e concede acesso ao Oceano Índico. A rota é vital para a economia global, pois por ela transitam cerca de 9% do petróleo comercializado no mundo.
Diariamente, milhões de barris de petróleo saudita atravessam esse trajeto para abastecer mercados na Europa e Ásia. A importância do estreito foi ampliada recentemente, já que ele servia como a principal alternativa ao Estreito de Ormuz, cujo tráfego foi quase totalmente interrompido com o início da guerra.
Riscos e reações internacionais
A União Europeia alertou que navios com vínculos aos Estados Unidos e Israel enfrentam maior risco de ataques, recomendando que embarcações evitem a região.
Em resposta à crise, Donald Trump afirmou na terça-feira (21) que, embora ainda não tenha sido totalmente fechado, haverá medidas concretas caso os Houthis concretizem a ameaça de encerrar a passagem marítima.