Israel planeja operação militar na Cisjordânia após confronto deixar seis mortos
As Forças de Defesa de Israel planejam operação militar na região de Tal, na Cisjordânia, após confronto que deixou dois israelenses e quatro palestinos mortos. O comando militar suspendeu licenças de soldados e fechou postos de controle no norte do território. Paralelamente, o governo de Israel anunciou a aceleração da criação de assentamentos agrícolas na região
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As Forças de Defesa de Israel (FDI) planejam uma operação militar na Cisjordânia, especificamente na região de Tal, após um confronto que resultou na morte de dois israelenses e quatro palestinos nesta sexta-feira (24). A mobilização ocorreu após relatos de um ataque contra civis israelenses que realizavam uma excursão nas proximidades do assentamento de Havat Gilad.
Para viabilizar a ação, o comando militar suspendeu as licenças de soldados que atuam na região e reforçou o efetivo. O fechamento de todos os postos de controle no norte da Cisjordânia também foi registrado, com o deslocamento de tropas para a área.
Dinâmica do confronto e divergências
A versão do Exército israelense indica que houve um embate entre dezenas de pessoas, envolvendo soldados e a equipe de segurança do assentamento. De acordo com as forças militares, um palestino teria tomado a arma de um colono, matando um homem de 30 anos. Um segundo israelense, de 32 anos e membro da segurança local, também morreu durante a troca de tiros.
Por outro lado, o Ministério da Saúde palestino confirmou a morte de quatro palestinos na cidade de Tal, além de quatro feridos, três deles em estado grave. Walid Zidan, presidente do conselho local de Tal, contestou a narrativa de Israel, afirmando que cerca de 20 colonos invadiram a cidade palestina antes do início dos conflitos, relato corroborado por testemunhas.
Expansão de assentamentos e novas tensões
Paralelamente aos eventos militares, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu anunciou que o governo irá acelerar a regularização e a criação de novos assentamentos agrícolas na Cisjordânia ocupada. No mesmo sentido, o ministro da Defesa, Israel Katz, determinou operações em vilarejos palestinos identificados como bases de grupos armados.
A instabilidade se estendeu a outras localidades. Em Far'ata, o Crescente Vermelho Palestino reportou oito feridos, muitos por disparos. O presidente do conselho local, Abdel Moneim Shaneh, alegou que colonos, escoltados por forças israelenses, atacaram a cidade e incendiaram plantações de oliveiras. Em Sarra, outras duas pessoas ficaram feridas em ataques atribuídos a colonos.
Contexto regional e prisões
O Exército de Israel informou a prisão de dois homens em um hospital de Nablus, acusados de participação nos episódios de violência. Um dos detidos era um palestino ferido, preso junto ao próprio irmão.
A região da Cisjordânia, ocupada por Israel desde 1967, apresenta um aumento na violência desde o início da guerra na Faixa de Gaza, em outubro de 2023. Atualmente, o território abriga cerca de 3 milhões de palestinos e mais de 500 mil israelenses residentes em assentamentos, os quais são considerados ilegais perante o direito internacional.
Diante do cenário, o ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, defendeu que a resposta militar ao episódio ocorra "com mão de ferro".