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Mais de 160 mil estrangeiros deixam a África do Sul após onda de violência xenofóbica

21 de Julho de 2026 às 18:25

Mais de 160 mil estrangeiros deixaram a África do Sul desde o final de maio devido a ataques xenofóbicos. As autoridades confirmam quatro mortes, enquanto governos do Zimbábue e Malaui registraram o retorno de 108.360 e 46.890 cidadãos, respectivamente. Mais de 900 pessoas foram presas durante as manifestações

Mais de 160 mil estrangeiros deixam a África do Sul após onda de violência xenofóbica
Reuters

Uma onda de violência xenofóbica provocou a saída de mais de 160 mil estrangeiros da África do Sul desde o final de maio. O êxodo, compilado pela AFP com base em dados de diversos países, foi intensificado por protestos e ataques contra imigrantes em situação irregular.

Até o momento, as autoridades locais confirmam a morte de quatro estrangeiros em episódios de violência: dois moçambicanos, um etíope e um malauiano.

Repatriações e fluxos migratórios

O movimento de saída ganhou força após a morte de dois moçambicanos em Mossel Bay, no sul do país, no final de maio. A situação se agravou em 30 de junho, quando grupos antimigração emitiram um ultimato exigindo que estrangeiros irregulares deixassem o território sul-africano.

O volume de retornos varia conforme a nacionalidade:

  • Zimbábue: 108.360 cidadãos retornaram ao país desde junho, sendo que 33.800 foram repatriados com verbas governamentais.
  • Malaui: O governo organizou a volta de 46.890 cidadãos utilizando 699 ônibus.
  • Moçambique: Representa o terceiro maior grupo de saída, embora o governo moçambicano não tenha divulgado números oficiais.

Enquanto isso, o governo da África do Sul informou ter acompanhado aproximadamente 2 mil moçambicanos até a fronteira, número significativamente menor do que os dados reportados pelas nações que recebem os repatriados.

Causas e repressão

A crise é impulsionada por grupos como a Operação Dudula e o March and March. A primeira organização já atuava para bloquear o acesso de estrangeiros a serviços básicos, como escolas e centros de saúde.

Esses movimentos justificam a hostilidade alegando que imigrantes elevam a criminalidade — com a África do Sul registrando média de 60 assassinatos diários — e competem por vagas de trabalho em um cenário onde a taxa de desemprego atinge 32%.

Como resposta aos distúrbios, as autoridades sul-africanas efetuaram a prisão de mais de 900 pessoas durante as manifestações anti-imigração.

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