Mais de 700 crateras gigantescas surgem no solo da província de Konya, na Turquia
Mais de 700 dolinas surgiram na província de Konya, na Turquia, devido à seca e à extração excessiva de água subterrânea. O rebaixamento do nível freático causou o colapso do solo, resultando em crateras que atingem dimensões de até 50 metros de largura
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A província de Konya, região central da Anatólia e historicamente o principal polo agrícola da Turquia, enfrenta a proliferação de mais de 700 dolinas — crateras gigantescas formadas pelo desmoronamento do solo. O fenômeno, que altera a paisagem rural e ameaça a segurança de moradores e agricultores, ocorre quando cavidades subterrâneas perdem a estabilidade e colapsam.
A crise é impulsionada por uma combinação de seca prolongada, calor extremo e a extração excessiva de água do subsolo. A agricultura intensiva na região forçou o aprofundamento dos poços: enquanto há dez anos a água era encontrada a 30 metros de profundidade, atualmente é necessário perfurar até 90 metros em certas áreas. Essa queda drástica do nível freático remove o suporte das estruturas subterrâneas, facilitando a abertura repentina de buracos, como o registrado na propriedade do agricultor Fatih Şık, onde surgiu uma cratera de 50 metros de largura por 40 metros de profundidade.
O cenário é agravado pelo aquecimento global e por um processo de desertificação que ameaça 90% do território turco. A instabilidade do subsolo reflete uma transformação hidrológica severa na Anatólia Central, que perdeu 186 dos seus 240 lagos nos últimos 60 anos.
De acordo com o professor de geologia Fetullah Arik, da Universidade Técnica de Konya, a densidade de dolinas ativas na região é uma das maiores do mundo. O padrão climático e a gestão hídrica observados na Turquia são semelhantes aos de outros países do Mediterrâneo, como a Espanha, o que indica que a ocorrência de desmoronamentos semelhantes pode se tornar mais frequente em territórios que enfrentam escassez hídrica e sobre-exploração de aquíferos.