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Mais de 700 crateras gigantescas surgem no solo da província de Konya, na Turquia

18 de Maio de 2026 às 09:29

Mais de 700 dolinas surgiram na província de Konya, na Turquia, devido à seca e à extração excessiva de água subterrânea. O rebaixamento do nível freático causou o colapso do solo, resultando em crateras que atingem dimensões de até 50 metros de largura

Mais de 700 crateras gigantescas surgem no solo da província de Konya, na Turquia
Emre Çaylak

A província de Konya, região central da Anatólia e historicamente o principal polo agrícola da Turquia, enfrenta a proliferação de mais de 700 dolinas — crateras gigantescas formadas pelo desmoronamento do solo. O fenômeno, que altera a paisagem rural e ameaça a segurança de moradores e agricultores, ocorre quando cavidades subterrâneas perdem a estabilidade e colapsam.

A crise é impulsionada por uma combinação de seca prolongada, calor extremo e a extração excessiva de água do subsolo. A agricultura intensiva na região forçou o aprofundamento dos poços: enquanto há dez anos a água era encontrada a 30 metros de profundidade, atualmente é necessário perfurar até 90 metros em certas áreas. Essa queda drástica do nível freático remove o suporte das estruturas subterrâneas, facilitando a abertura repentina de buracos, como o registrado na propriedade do agricultor Fatih Şık, onde surgiu uma cratera de 50 metros de largura por 40 metros de profundidade.

O cenário é agravado pelo aquecimento global e por um processo de desertificação que ameaça 90% do território turco. A instabilidade do subsolo reflete uma transformação hidrológica severa na Anatólia Central, que perdeu 186 dos seus 240 lagos nos últimos 60 anos.

De acordo com o professor de geologia Fetullah Arik, da Universidade Técnica de Konya, a densidade de dolinas ativas na região é uma das maiores do mundo. O padrão climático e a gestão hídrica observados na Turquia são semelhantes aos de outros países do Mediterrâneo, como a Espanha, o que indica que a ocorrência de desmoronamentos semelhantes pode se tornar mais frequente em territórios que enfrentam escassez hídrica e sobre-exploração de aquíferos.

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