Mundo

Manifestantes e oposição exigem reformas educacionais e renúncias em protestos na capital da Índia

22 de Julho de 2026 às 18:22

Manifestantes do Partido Janata Barata ocupam Nova Déli exigindo reformas educacionais e a saída do ministro Dharmendra Pradhan. O movimento, motivado por irregularidades em exames médicos, contou com apoio do Congresso Nacional Indiano e resultou em confrontos que feriram 60 pessoas

Manifestantes e oposição exigem reformas educacionais e renúncias em protestos na capital da Índia
Reuters via BBC

Milhares de manifestantes do Partido Janata Barata (CJP) ocupam a capital, Nova Déli, em uma série de protestos que se transformaram em um dos maiores movimentos de dissidência pública contra o governo do primeiro-ministro Narendra Modi nos últimos anos. Liderado por jovens, o grupo exige reformas educacionais e a renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan.

Crise no sistema educacional e repressão policial

A mobilização ganhou força após irregularidades em um exame nacional de admissão para faculdades de medicina ocorrido em maio. O governo decidiu cancelar a prova devido ao vazamento de questões, medida que gerou indignação generalizada ao afetar milhões de estudantes.

A tensão escalou na segunda-feira (20), durante a abertura da Sessão das Monções no Parlamento. Dezenas de milhares de pessoas marcharam pelo centro de Déli, resultando em confrontos com a polícia. O uso de gás lacrimogêneo e cassetetes deixou pelo menos 60 pessoas feridas, entre manifestantes e agentes de segurança.

Mesmo após a polícia ter desmontado tendas e palcos em Jantar Mantar — observatório astronômico que serve de base para o movimento —, os integrantes do CJP mantiveram a ocupação permanente no local, onde estão acampados há um mês.

Ampliação da base política e pressões ao governo

Na terça-feira (21), a manifestação atraiu o apoio do Congresso Nacional Indiano (INC), principal partido de oposição. Sob forte chuva, o presidente do INC, Mallikarjun Kharge, e o deputado Rahul Gandhi lideraram uma marcha até a residência de Narendra Modi, exigindo a renúncia do primeiro-ministro e de outros membros do gabinete.

Rahul Gandhi afirmou que o governo deve se desculpar aos estudantes pela violência policial. O parlamentar justificou a ação direta na casa do premiê após ter seu pedido de debate no Parlamento negado pelo presidente da Câmara, Om Birla, que condicionou a discussão a uma permissão do governo. Durante os conflitos de segunda-feira, Gandhi e outros deputados chegaram a ser detidos e levados a centros de custódia antes de serem libertados.

Além do INC, figuras políticas como o ex-ministro-chefe de Déli, Arvind Kejriwal, e o veterano Sharad Pawar também prestaram apoio aos manifestantes.

Resposta do Ministério da Educação

O ministro Dharmendra Pradhan rebateu as acusações, afirmando que o INC utiliza os estudantes como "ferramentas políticas" para gerar manchetes e causar perturbações, em vez de buscar soluções democráticas.

Apesar das críticas à oposição, Pradhan reconheceu que o governo deve oferecer responsabilização, reformas e respostas aos estudantes indianos, comprometendo-se a entregar tais medidas. Até o momento, o CJP não se manifestou sobre as declarações do ministro, mantendo a exigência por sua saída do cargo.

Impacto internacional e greve de fome

O movimento adquiriu visibilidade global com a adesão do educador e ativista Sonam Wangchuk. Em 28 de junho, Wangchuk iniciou uma greve de fome por tempo indeterminado em apoio às pautas do CJP. No sábado (18), ele foi removido forçadamente do local do protesto pela polícia e encaminhado a um hospital, onde permanece em jejum.

Notícias Relacionadas