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Ministério Público da Suíça pede prisão perpétua para ex-deputado acusado de estupros múltiplos

23 de Julho de 2026 às 09:11

O Ministério Público da Suíça denunciou Patrick Frei, ex-deputado do cantão de Aargau, por estupros múltiplos, abusos sexuais contra criança e tentativa de homicídio. A promotoria solicitou a prisão perpétua do acusado, que permanece em custódia preventiva

Ministério Público da Suíça pede prisão perpétua para ex-deputado acusado de estupros múltiplos
Picture-Alliance/Keystone via DW

O Ministério Público da Suíça denunciou Patrick Frei, ex-deputado do cantão de Aargau e antigo membro do Partido do Povo Suíço (SVP), sob a acusação de ter drogado e estuprado a própria enteada em mais de 40 ocasiões. O agressor, de 57 anos e especialista em TI, também é acusado de estuprar a companheira e mãe da menina. Diante da gravidade dos fatos, a promotoria solicitou a prisão perpétua, fundamentada em crimes de estupros múltiplos, abusos sexuais contra criança e tentativa de homicídio.

Detalhes dos abusos e investigação

As agressões contra a enteada, que tinha 14 anos na época, teriam ocorrido durante vários meses. Para facilitar os crimes, Frei utilizava sedativos, o que, segundo a acusação, expôs as vítimas a riscos repetidos de morte por asfixia. O próprio agressor teria registrado os abusos em vídeos, material que se tornou a base principal da denúncia, já que as vítimas mal recordavam dos episódios devido à sedação.

A lista de acusações contra o ex-político é extensa e inclui:

  • Coerção sexual e atentado ao pudor;
  • Agressões e crimes relacionados a drogas;
  • Violação de privacidade por meio de gravações e assédio sexual;
  • Múltiplos atos sexuais com crianças e pornografia.

Os crimes foram descobertos em setembro de 2023, quando a mãe, Iwona L., flagrou o companheiro no quarto da filha, Paula L., e acionou a polícia. Frei permanece em prisão preventiva desde então, embora negue grande parte das acusações. O julgamento no Tribunal Distrital de Baden ainda não possui data definida.

Vulnerabilidade financeira e imigratória

A mãe e a filha eram dependentes financeiras de Frei, que também era o empregador de Iwona. Embora houvesse um contrato de trabalho para que ela cuidasse da residência, a mulher afirma que nunca recebeu salário, apenas o custeio da moradia.

Após a prisão do agressor, a situação das vítimas se agravou. Ao solicitarem assistência social no município de Untersiggenthal, as autoridades suspeitaram que o contrato de trabalho fosse uma farsa para garantir a permanência de Iwona no país, encaminhando o caso ao departamento de imigração. Como resultado, o auxílio emergencial pago foi reduzido para cerca de mil francos suíços (R$ 6,2 mil), valor inferior aos 1,6 mil francos habituais.

Além disso, Iwona foi multada em 2.160 francos suíços (R$ 13,4 mil) por supostamente enganar as autoridades, sob pena de 30 dias de prisão. O professor emérito de direito migratório Marc Spescha classificou a ameaça de deportação como um erro administrativo, argumentando que, como cidadã da União Europeia, a mulher teria direito à residência independentemente do contrato.

Impactos psicológicos e repercussões políticas

O trauma resultou no colapso nervoso de Iwona, atualmente internada em uma clínica psiquiátrica. A filha, agora com 18 anos, precisou abandonar seu curso profissionalizante em uma padaria devido à pressão psicológica. As vítimas decidiram tornar seus nomes e fotos públicos para encorajar outras mulheres em situações de violência sexual.

No campo político, o SVP buscou se distanciar do caso, informando que Frei renunciou ao partido imediatamente após a prisão e tratando o episódio como um fato isolado. Em contrapartida, o Partido Social-Democrata (SP) do cantão de Aargau exigiu transparência nas investigações da prefeitura e do governo regional. A conselheira nacional Tamara Funiciello anunciou a intenção de propor proteções legais mais rigorosas na legislação de imigração para amparar vítimas.

Até o momento, o município e o cantão não se manifestaram sobre o processo. A mãe e a filha recorreram da decisão de deportação junto ao Tribunal Administrativo de Aargau.

Com informações de G1

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