Mundo

Narges Mohammadi recebe alta hospitalar e autorização para retornar à residência no Irã

18 de Maio de 2026 às 09:27

A ativista Narges Mohammadi recebeu alta hospitalar e autorização para retornar à sua residência sob regime de liberdade condicional mediante fiança. A decisão ocorreu após diagnóstico médico de enfermidades graves no sistema nervoso e cardíaco. Mohammadi cumpre pena de 10 anos e 9 meses por propagar conteúdo contra o governo iraniano

Narges Mohammadi recebe alta hospitalar e autorização para retornar à residência no Irã
Narges Foundation Archive via AP

A fundação administrada pela família de Narges Mohammadi confirmou, nesta segunda-feira (18), que a ativista e laureada com o Nobel da Paz recebeu alta hospitalar e obteve autorização para retornar à sua residência. A liberação ocorreu após a vencedora do prêmio, de 53 anos, ter sido transferida para uma unidade de saúde sob regime de liberdade condicional mediante fiança, medida autorizada pelas autoridades iranianas após pressões internacionais, incluindo apelos do Instituto do Prêmio Nobel.

A decisão de retirar Mohammadi da prisão da cidade de Zanjan, onde estava detida desde dezembro, foi corroborada por uma comissão médica do próprio governo iraniano. Os profissionais diagnosticaram que a complexidade de suas enfermidades exigia a continuidade do tratamento fora do sistema prisional e sob a supervisão de sua equipe médica particular.

O estado de saúde da engenheira e mãe de gêmeos tornou-se crítico nas últimas semanas. De acordo com a fundação que leva seu nome, a ativista apresentou uma deterioração grave do sistema nervoso e da condição cardíaca, demandando a realização urgente de um exame angiográfico que revelou danos cerebrais e agravamento de doença vascular. Relatos familiares indicam que, durante a internação, Mohammadi necessitou de oxigênio para respirar, perdeu a capacidade de fala e apresentou oscilações extremas na pressão arterial.

O quadro clínico atual é reflexo de um histórico de mais de duas décadas de detenções, totalizando seis prisões desde que iniciou seu ativismo há 22 anos. Enquanto esteve presa em Zanjan, a ativista sofreu um infarto, perdeu a consciência em duas ocasiões, desenvolveu um coágulo pulmonar e teria sido vítima de agressões físicas.

Atualmente, Narges Mohammadi cumpre uma pena de 10 anos e 9 meses por propagar conteúdo contra o governo, tendo sido detida em janeiro de 2022 no presídio de Evin, em Teerã. Mesmo com a alta hospitalar, ela ainda possui 18 anos de reclusão a cumprir.

Reconhecida globalmente como uma das principais vozes contra a pena de morte e defensora dos direitos das mulheres no Irã, Mohammadi é vice-diretora do Centro de Defensores dos Direitos Humanos do Irã, ONG liderada por Shirin Ebadi. A ativista tornou-se a figura central da revolução feminina no país, movimento desencadeado em setembro de 2022 após a morte de Mahsa Amini. A jovem de 22 anos faleceu em um hospital após ser detida pela polícia da moralidade por suposto uso incorreto do véu, gerando uma das maiores ondas de protestos contra o regime dos aiatolás.

Notícias Relacionadas