Navio de cruzeiro atracou em Roterdã após registrar surto de hantavírus e três mortes
O navio MV Hondius atracou em Roterdã nesta segunda-feira após um surto de hantavírus que causou três mortes e infectou até 11 pessoas. Tripulantes e equipe médica entrarão em quarentena, enquanto a embarcação passará por desinfecção
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/0/J/mlxAMNQNA2iFSuLsTVGQ/afp-20260504-a9r86e6-v1-highres-capeverdehealthtourism.jpg)
O navio de cruzeiro MV Hondius, de bandeira holandesa e operado pela Oceanwide Expeditions, atracou nesta segunda-feira (18) no porto de Roterdã após enfrentar um surto de hantavírus. A embarcação, que transportava aproximadamente 150 pessoas de 23 nacionalidades, havia sido retida ao largo de Cabo Verde. Por solicitação da União Europeia e da Organização Mundial da Saúde (OMS), a Espanha permitiu que parte dos passageiros desembarcasse nas Ilhas Canárias antes que o navio seguisse para a Holanda com dois profissionais de saúde e tripulação reduzida.
Ao desembarcarem em Roterdã, os 27 tripulantes e a equipe médica serão submetidos a quarentena, enquanto a estrutura do navio passará por desinfecção e limpeza. O surto foi reportado inicialmente pela OMS em 2 de maio e resultou na morte de três passageiros: uma cidadã alemã e um casal de neerlandeses.
A contagem de infectados apresenta oscilações. Na última sexta-feira, a OMS reduziu o número de casos positivos de 11 para 10, devido ao resultado negativo de um passageiro americano. No entanto, o governo da Colúmbia Britânica informou, no sábado, que um canadense também testou positivo para a doença. A OMS aguarda a confirmação oficial deste novo caso, o que elevaria novamente o total de afetados para 11 pessoas, considerando oito casos confirmados e dois prováveis registrados em 15 de maio.
Paralelamente à crise sanitária, a OMS inicia nesta segunda-feira, em Genebra, sua 79ª Assembleia anual, que se estende até sábado. Embora não estivessem na pauta original, os surtos de ebola e de hantavírus devem ser integrados às discussões. O foco central do encontro é a reforma da arquitetura da saúde global, buscando reorganizar a divisão de responsabilidades entre as esferas nacional, regional e global para eliminar a fragmentação do setor e evitar a sobreposição de funções.
A reunião ocorre em um cenário de instabilidade institucional. A organização enfrenta a tentativa de retirada dos Estados Unidos — que possuem contribuições obrigatórias em atraso, impedindo a conclusão formal da saída — e o pedido de retirada da Argentina, apoiado por Israel. Além disso, divergências ocorridas no início de maio travaram pontos cruciais do tratado sobre pandemias, especificamente sobre o compartilhamento de insumos farmacêuticos, o que pode prolongar as negociações por mais um ano.
Apesar de ter enfrentado cortes orçamentários e de pessoal após a decisão de Donald Trump de afastar os EUA da entidade, a direção da OMS afirmou no fim de abril que a organização recuperou a estabilidade. Atualmente, a maior parte dos fundos necessários para os próximos dois anos foi mobilizada, embora a situação financeira permaneça delicada.