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O mau cheiro do rio Tâmisa levou Londres a modernizar seu sistema de esgoto em 1858

19 de Julho de 2026 às 09:06

O Grande Fedor de 1858 em Londres, causado pelo acúmulo de resíduos no rio Tâmisa, levou o governo a investir três milhões de libras na modernização do esgoto. O engenheiro Joseph Bazalgette construiu túneis subterrâneos e estações de bombeamento, sistema finalizado em 1875 que erradicou a cólera na cidade. Em 2025, a capital inaugurou o túnel Thames Tideway para expandir a capacidade de escoamento

O mau cheiro do rio Tâmisa levou Londres a modernizar seu sistema de esgoto em 1858
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O verão de 1858 em Londres foi marcado por temperaturas superiores a 30 ºC e a ausência de chuvas, transformando o rio Tâmisa em um cenário de crise sanitária. A falta de precipitação reduziu drasticamente o nível das águas, expondo resíduos industriais, lixo e excrementos humanos e animais que, sob o sol intenso, entraram em processo de fermentação. O resultado foi a propagação de uma nuvem sufocante de mau cheiro que forçou moradores a fugirem da cidade ou a utilizarem lenços no nariz e cloreto de cal nas cortinas para tentar mitigar os odores.

O colapso da infraestrutura urbana

O episódio, conhecido como O Grande Fedor (The Great Stink), foi a consequência de um crescimento populacional desordenado. Entre 1800 e 1850, a população da capital britânica dobrou, atingindo 2,5 milhões de pessoas. O sistema de esgoto da época, obsoleto, não suportou a demanda e despejava todos os detritos diretamente no rio.

A situação foi agravada pela introdução de vasos sanitários com descarga entre as classes mais ricas, que enviaram ainda mais dejetos para o Tâmisa. Anteriormente, as fossas sépticas eram esvaziadas manualmente por coletores noturnos, mas a nova dinâmica fez com que o rio devolvesse a sujeira às ruas durante as cheias. O cenário era tão degradante que o escritor Charles Dickens descreveu a artéria vital da cidade como um canal de esgoto mortal. Mesmo diante da insalubridade, a população continuava a utilizar a água do rio para beber e lavar roupas.

A relação entre a poluição e as epidemias

A crise olfativa coincidiu com a disseminação de tifo, disenteria e cólera. Na época, acreditava-se que as doenças eram transmitidas pelos vapores tóxicos do ar. No entanto, o médico John Snow já havia formulado uma tese diferente. Após observar a morte de 500 pessoas no bairro do Soho devido ao transbordamento de fossas, Snow concluiu que a infecção era causada por água potável contaminada.

Para provar sua teoria, o médico removeu a alavanca de uma bomba de água local, interrompendo a propagação da doença. Embora tenha identificado a correlação entre as bombas de água e os surtos de cólera — que mataram mais de 30 mil pessoas entre 1831 e 1854 —, Snow não encontrou apoio político para sua tese e faleceu em junho de 1858, pouco antes do auge do Grande Fedor.

A modernização do sistema de esgoto

A mudança de postura do governo ocorreu apenas quando o odor tornou-se insuportável no Palácio de Westminster. Com a impossibilidade de governar no local, os parlamentares, que anteriormente ignoravam os pedidos de modernização da rede em favor de projetos de prestígio, aprovaram em 18 dias um financiamento de três milhões de libras para a obra.

A execução do projeto ficou a cargo do engenheiro Joseph Bazalgette, que implementou as seguintes melhorias:

  • Criação de uma rede de túneis subterrâneos com 1,8 mil quilômetros para desviar os resíduos do rio.
  • Construção de avenidas e diques às margens do Tâmisa para esconder os coletores e prevenir enchentes.
  • Implementação de duas estações de bombeamento, incluindo a de Abbey Mills, finalizada em 1868.

Concluído em 1875, o sistema era o mais moderno do mundo e foi projetado para atender até 4,5 milhões de habitantes, erradicando a cólera na cidade.

Legado e atualizações tecnológicas

A infraestrutura vitoriana permaneceu como a base da drenagem de Londres por mais de um século e meio, suportando a pressão de uma população que chegou a quase 9 milhões de pessoas e a introdução de resíduos modernos, como fraldas e absorventes.

Para evitar a repetição de um colapso sanitário, a cidade inaugurou, em 2025, o túnel Thames Tideway, com 25 quilômetros de extensão, expandindo a capacidade de escoamento da metrópole.

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