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ONU pede que Estados Unidos revisem políticas de imigração para a Copa do Mundo de 2026

10 de Junho de 2026 às 12:15

A ONU solicitou que os Estados Unidos revisem as políticas de imigração para a Copa do Mundo após a negativa de entrada de torcedores, dirigentes e um árbitro. O governo americano ampliou para 39 a lista de países com restrições de viagem e instituiu depósitos caucionais para cidadãos de cerca de 50 nações

As Nações Unidas solicitaram, nesta quarta-feira (10), que os Estados Unidos revisem as atuais políticas de imigração implementadas para a Copa do Mundo. O pedido foi feito por Volker Turk, alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, que criticou a gestão de Donald Trump após a negativa de entrada no país de dirigentes de equipes, torcedores e de um árbitro da Fifa, natural da Somália.

A administração Trump endureceu as regras migratórias desde o início do ano passado, intensificando as restrições especificamente para o mundial de 2026. Entre as medidas, o governo expandiu de 19 para 39 o número de países sujeitos a decretos de restrição de viagens. Países como Mali, Sudão, Irã, Somália e Haiti enfrentam suspensões totais ou parciais na emissão de vistos de turismo de curta duração.

Para evitar a permanência ilegal de estrangeiros após o torneio, Washington também exigiu depósitos caucionais reembolsáveis para cidadãos de aproximadamente 50 nações classificadas como "de risco". Os valores para a obtenção do visto variam entre US$ 5.000, US$ 10.000 e US$ 15.000.

Na prática, a rigidez do controle imigratório resultou em incidentes com delegações internacionais. Na segunda-feira (8), a seleção do Senegal passou por revista com detectores de metal e inspeção de bagagens na pista do aeroporto de Raleigh, na Carolina do Norte. A equipe posteriormente informou que a ação ocorreu ao pé da aeronave para evitar a circulação dos atletas pelos terminais e salas de embarque. No mesmo dia, a seleção do Uzbequistão foi recebida em Chicago com cães farejadores para um amistoso contra a Holanda. A delegação relatou ter esperado horas sob sol forte enquanto todas as bagagens eram revistadas, situação criticada pelo técnico Fabio Cannavaro.

A seleção da Bélgica também foi submetida a vistorias rigorosas com detectores de metal, incluindo a sola dos sapatos, ao chegar a Chicago nesta terça-feira (9). Outro caso emblemático foi o do árbitro somali Omar Artan, que teve a entrada negada pelos Estados Unidos após horas de interrogatório na segunda-feira, apesar de possuir visto válido, segundo a Federação da Somália. Artan, que seria o primeiro representante de seu país a apitar em uma Copa do Mundo, retornou à Somália.

O cenário contrasta com a recepção no México, outro país sede. A seleção da Espanha, ao desembarcar em Puebla na segunda-feira para um amistoso contra o Peru, foi acolhida com bandeiras, danças e bandas musicais, manifestações que foram posteriormente agradecidas pela equipe espanhola em suas redes sociais.

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