Pentágono utiliza drones baseados em modelo iraniano e depende de infraestrutura da SpaceX para operações
O Pentágono implementou o drone kamikaze LUCAS, que utiliza a rede Starshield da SpaceX e o software de IA Hivemind para coordenar enxames autônomos. O sistema, baseado em engenharia inversa de modelo iraniano, estreou em combate no dia 28 de fevereiro contra alvos no Irã. A Força Espacial destinou 2,29 bilhões de dólares ao programa Space Data Network Backbone para sustentar a infraestrutura de comunicação
O Pentágono implementou uma nova estratégia de hegemonia tática para conflitos futuros baseada no uso do LUCAS, um drone kamikaze desenvolvido por meio de engenharia inversa do modelo iraniano Shahed-136. A aeronave, que custa 35 mil dólares por unidade — valor significativamente inferior ao de mísseis de cruzeiro —, prioriza a quantidade e a saturação das defesas inimigas em detrimento do desempenho individual. O sistema estreou em combate no dia 28 de fevereiro, em ataques contra alvos no Irã, sendo classificado pelo almirante da Marinha Brad Cooper como peça indispensável para a Operação Fúria Épica.
A eficácia operacional do LUCAS depende integralmente da infraestrutura de comunicação da SpaceX. O governo dos Estados Unidos utiliza terminais de hardware compacto da Starshield, versão militarizada da rede Starlink, para viabilizar o funcionamento dos drones. Essa dependência concede à empresa de Elon Musk um controle estratégico considerável, visto que a SpaceX detém mais de 60% da rede global de satélites, com cerca de 10 mil unidades em órbita.
Essa relação comercial resultou em vultosos aportes de dinheiro público. A Força Espacial assinou um contrato de 2,29 bilhões de dólares para sustentar o programa Space Data Network Backbone, e a SpaceX recebe anualmente cerca de 20% de suas receitas totais provenientes do governo americano. Além disso, houve um aumento expressivo nas tarifas mensais por antena, que saltaram de 5 mil para 60 mil dólares, sob a justificativa de que os drones operam via serviço de aviação e não terrestre. O Pentágono agora avalia a compra de mais 3,5 mil assinaturas da Starshield.
Paralelamente, a SpaceX exige um pagamento inicial de 500 milhões de dólares, com mensalidades de 100 milhões, para fornecer conexão direta a celulares de cidadãos iranianos, visando contornar bloqueios governamentais locais. Tais movimentações financeiras ocorrem em um momento em que a empresa planeja abrir seu capital na bolsa de valores no próximo mês.
No campo tecnológico, o Departamento de Guerra, via Agência do Subsecretário para Investigação e Engenharia, integrou aos drones o software Hivemind. Essa inteligência artificial coordena enxames de aeronaves de forma autônoma, utilizando sensores e GPUs semelhantes aos empregados pela Tesla e Waymo para percepção ambiental e execução de missões. O sistema atua como um maestro digital capaz de controlar 28 veículos distintos, incluindo helicópteros UH-72B Lakota e drones Anduril BQM-177 e YFQ-44A. A previsão é que, até o outono, um único soldado consiga comandar esses enxames simultaneamente.
O desenvolvimento do LUCAS e do Hivemind foi fortemente influenciado por experiências na Ucrânia. Brandon Tseng, cofundador da Shield AI, afirma que o uso de pilotos de IA em drones de ataque descartáveis no território ucraniano elevou a taxa de sucesso dos alvos de 10% para 100%, reduzindo custos e tempos de ataque. Embora a empresa defenda que a decisão final pelo uso de força letal permaneça com humanos, a automação do processo levanta riscos de erros da IA, como a confusão entre instalações militares e civis.
Para mitigar a dependência da SpaceX, o Departamento de Guerra afirma estar empenhado em fomentar um ambiente competitivo. A Agência de Comunicações Satelitales Comerciais busca alternativas de redes em órbita terrestre baixa, como os Bluebirds da AST Spacemobile, a fim de diversificar a gama de fornecedores e garantir a segurança das comunicações militares.