Petroleiros sauditas alteram rota no Mar Vermelho após bloqueio naval imposto pelos Houthis
Dois petroleiros sauditas com destino à China e à Índia desviaram a rota do Estreito de Bab Al-Mandeb para o Canal de Suez. A mudança ocorreu após o grupo Houthis implementar um bloqueio naval contra a Arábia Saudita
Dois petroleiros sauditas alteraram sua rota no Mar Vermelho e desistiram de atravessar o Estreito de Bab Al-Mandeb após a implementação de um bloqueio naval contra a Arábia Saudita pelo grupo extremista Houthis. As embarcações, que transportavam petróleo com destino à China e à Índia, redirecionaram-se para o Canal de Suez, o que prolonga o tempo de viagem e eleva os custos de transporte, já que agora deverão cruzar o Mar Mediterrâneo e o Oceano Atlântico.
Escalada de tensões no Mar Vermelho
A mudança de curso ocorreu logo após o anúncio, na segunda-feira (20), de um embargo marítimo contra o reino saudita. O grupo rebelde ameaçou fechar o ponto estratégico que liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico e por onde circula cerca de 9% do volume mundial de petróleo.
Além do bloqueio, os Houthis enviaram alertas a empresas de navegação recomendando que evitem operações de carga e descarga em portos sauditas, sob risco de ataques. Em comunicado oficial, o porta-voz militar do movimento classificou a Arábia Saudita como "criminosa". A ONU manifestou preocupação com a medida, alertando que o bloqueio pode intensificar o conflito regional.
Conexão com o embate entre Irã e Estados Unidos
A decisão de fechar a rota petrolífera estaria vinculada a ataques dos Estados Unidos contra a infraestrutura energética do Irã. No domingo (19), bombardeios americanos atingiram a cidade de Bushehr, no sul iraniano, onde opera a única usina nuclear civil do país. Teerã também solicitou a condenação da agência nuclear da ONU por ataques à usina de Darkhovin, em construção no sudoeste do território.
Informações de fontes anônimas indicam que o fechamento do estreito foi planejado conjuntamente entre a liderança iraniana e os Houthis. O grupo teria finalizado os preparativos para ataques a navios, com a implantação de mísseis e drones na região. A decisão final sobre o fechamento da passagem estaria sob o controle da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), que possui representantes no Iêmen.
Impactos na exportação de energia
Com o Estreito de Ormuz já fechado, a interrupção do tráfego no Mar Vermelho bloquearia as duas principais vias de exportação de petróleo do Oriente Médio. Esse cenário agravaria a crise energética global e ampliaria a frente de confronto entre Washington e Teerã.
O Irã integra os Houthis ao seu "Eixo da Resistência", aliança que inclui o Hezbollah e grupos armados iraquianos. Embora os Estados Unidos afirmem que o governo iraniano fornece armamento, financiamento e treinamento aos rebeldes iemenitas — acusação negada por Teerã —, o grupo ainda não entrou formalmente no conflito.
Histórico de ameaças e ataques
A instabilidade na região vem crescendo desde o dia 16, quando o líder Abdul Malik al-Houthi afirmou que instalações vitais e o petróleo saudita seriam alvos de ataques caso Riad se envolvesse na guerra entre Irã e EUA. Anteriormente, na segunda-feira (13), os Houthis dispararam mísseis contra a Arábia Saudita, alegando que o reino teria bombardeado um aeroporto sob seu controle, encerrando uma trégua que durava quatro anos.