Quantidade de robôs em combate pode superar o número de soldados na guerra entre Ucrânia e Rússia
A startup UFORCE projeta que a quantidade de robôs no conflito entre Ucrânia e Rússia poderá superar o número de soldados. O cenário impulsiona empresas de defesa e a adoção de inteligência artificial por potências como Estados Unidos e China
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A integração de sistemas robóticos no conflito entre Ucrânia e Rússia atingiu um patamar onde a quantidade de máquinas em combate poderá, em breve, superar o número de soldados humanos. A projeção é feita pela UFORCE, startup de defesa fundada por britânicos e ucranianos, que opera discretamente em Londres para evitar sabotagens russas. A empresa, avaliada em mais de US$ 1 bilhão, já fornece drones aéreos, terrestres e marítimos para operações reais.
Essa tendência reflete a nova dinâmica de guerra relatada pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Em abril, o líder afirmou que a retomada de territórios ocupados ocorreu, pela primeira vez, em uma operação conduzida exclusivamente por robôs terrestres e drones. Anteriormente, em fevereiro, Zelensky mencionou que um único robô terrestre foi capaz de conter o avanço das forças russas por 45 dias. Do outro lado, a Rússia também utiliza robôs para transportar explosivos até posições ucranianas.
O cenário impulsiona a ascensão das chamadas empresas "Neo-Prime", que desafiam gigantes tradicionais como Boeing, Lockheed Martin e BAE Systems. Além da UFORCE, a americana Anduril destaca-se no setor, tendo realizado em fevereiro o primeiro voo de teste de um caça sem piloto. Enquanto a UFORCE utiliza softwares para auxiliar na definição de alvos, a Anduril implementa inteligência artificial (IA) para que alguns sistemas executem a etapa final de ataques de forma autônoma.
A corrida tecnológica é endossada por potências globais. O governo dos Estados Unidos, por meio do secretário de Defesa Pete Hegseth, defende a priorização da IA nas Forças Armadas. A China também expandiu o uso de sistemas militares baseados em IA, conforme dados do Departamento de Defesa americano. Para Jacob Parakilas, do centro de estudos RAND Europe, o combate direto entre robôs em terra e no mar é provável e quase inevitável, dado que drones aéreos de ambos os lados já se enfrentam.
A automação gera debates éticos e riscos de responsabilização. A Anistia Internacional alerta que delegar decisões de vida ou morte a máquinas compromete os direitos humanos. Em contrapartida, a indústria armamentista, representada por Rich Drake, da Anduril, argumenta que a tecnologia reduz erros na cadeia de ataque e supre a necessidade humana de descanso e alimentação em combate, mantendo a decisão final sob comando militar.
A complexidade da IA na defesa ficou evidente em 2026, após um impasse entre o Pentágono e a Anthropic. Em julho de 2025, a empresa do Vale do Silício firmou um contrato de US$ 200 milhões para integrar modelos de IA em redes sigilosas. No entanto, o CEO da companhia, Dario Amodei, impôs limites éticos: a tecnologia não poderia ser usada para vigilância doméstica em massa nem para armas totalmente autônomas, alegando que os sistemas atuais não são confiáveis o suficiente para tal função.
A recusa da Anthropic em conceder acesso irrestrito à tecnologia para todos os usos legais solicitados pelo Departamento de Defesa resultou no encerramento do contrato. A vaga foi preenchida imediatamente pela OpenAI, que chegou a um acordo com o Pentágono horas após a saída da concorrente.