Recrutador de modelos com vínculos a Jeffrey Epstein é encontrado morto em Paris
O recrutador de modelos Daniel Siad, de 69 anos e vinculado a Jeffrey Epstein, foi encontrado morto em sua residência em Colombes, Paris, na segunda-feira (20/7). O Ministério Público de Nanterre investiga a causa do óbito, enquanto Siad respondia a denúncias de estupro e tráfico de pessoas na França
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Daniel Siad, de 69 anos, recrutador de modelos com vínculos ao criminoso sexual Jeffrey Epstein, foi encontrado morto na última segunda-feira (20/7). O corpo estava em sua residência, localizada em Colombes, região noroeste de Paris. O Ministério Público de Nanterre instaurou uma investigação para apurar a causa do óbito, que será confirmada por meio de uma autópsia.
Conexões com a rede de exploração sexual
O nome de Siad aparece milhares de vezes em documentos oficiais do governo dos Estados Unidos sobre o caso Epstein. Embora tenha negado publicamente ter conhecimento dos abusos cometidos pelo financista americano, afirmando confiar em sua conduta profissional, relatos de vítimas indicam o contrário. Uma ex-modelo, identificada como Anya, descreveu Siad como um "traficante profissional" e afirmou que ele foi o responsável por apresentá-la ao bilionário, caracterizando a situação como uma armadilha.
Documentos revelam que Siad mantinha contato direto com Epstein via e-mail, onde utilizava metáforas de pesca para descrever a agilidade com que conseguia recrutar pessoas.
Acusações criminais na França
Além da ligação com a rede de Epstein, Siad era alvo de diversas denúncias em território francês, incluindo acusações de estupro, a primeira delas formalizada em fevereiro. Apesar de ter negado a prática de qualquer crime em entrevistas recentes, a morte do recrutador interrompeu os processos judiciais.
Advogados de vítimas de Siad manifestaram revolta contra a inação do Ministério Público de Paris. A promotoria havia anunciado, em fevereiro, a abertura de investigações sobre possíveis cúmplices franceses de Epstein, mas a defesa das mulheres alega que a lentidão das autoridades privou as vítimas de um julgamento criminal e demonstrou desprezo por crimes de tráfico de pessoas.
Impacto nas investigações
A morte de Siad é vista como uma perda irreparável de evidências. Uma ex-modelo que depôs à polícia em junho destacou que, como o recrutador nunca chegou a ser interrogado, informações cruciais sobre a operação de Epstein desapareceram. Anne-Claire Le Jeune, advogada de seis mulheres que denunciaram Siad, reforçou que a demora em colocá-lo sob custódia policial negou às vítimas a possibilidade de alcançar a justiça.
Este caso ecoa outros desfechos semelhantes na rede de exploração sexual:
- Jean-Luc Brunel: Agente de modelos francês e fundador da MC2 Model Management (financiada por Epstein), morreu por enforcamento em uma cela de prisão em Paris, em 2022. Ele era investigado por tráfico de menores e estupro de vulnerável.
- Jeffrey Epstein: O bilionário morreu em 2019, em uma prisão de Nova York, enquanto aguardava julgamento federal por tráfico sexual.