Seis candidatos disputam a sucessão de António Guterres no comando das Nações Unidas
Seis candidatos disputam a sucessão de António Guterres no comando das Nações Unidas, com debate público nesta quinta-feira em Nova York. A disputa conta com três nomes da América Latina, incluindo Michelle Bachelet, que possui apoio do Brasil e México. O novo secretário-geral será definido pelo Conselho de Segurança e pela Assembleia Geral
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Seis candidatos disputam a sucessão de António Guterres no comando das Nações Unidas, com a realização de um debate público nesta quinta-feira (23), na sede da organização, em Nova York. Guterres encerra seu segundo e último mandato permitido em 31 de dezembro de 2026, após dez anos à frente da instituição.
O novo secretário-geral assumirá a gestão em um cenário de instabilidade, marcado pelo aumento de conflitos globais e desrespeito ao direito internacional. Somado a isso, a organização enfrenta um déficit financeiro crítico, impulsionado pela queda de repasses de grandes doadores e uma dívida de aproximadamente US$ 4 bilhões (cerca de R$ 20 bilhões) em pagamentos atrasados dos Estados Unidos.
Candidaturas e representatividade regional
A América Latina detém a maior representação no pleito, com três nomes na disputa:
- Michelle Bachelet: ex-presidente do Chile, que busca ser a primeira mulher a liderar a ONU, focando na proteção dos direitos humanos.
- Rafael Grossi: argentino e atual diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que propõe reformas administrativas para aumentar a eficiência da organização.
- Rebeca Grynspan: costa-riquenha e secretária-geral da UNCTAD, que defende a ampliação da representatividade de países africanos e latino-americanos no Conselho de Segurança.
Outros concorrentes incluem o ex-presidente do Senegal, Macky Sall (2012-2024), que pleiteia maior influência africana nas decisões globais, e a diplomata da Guiana, Carolyn Rodrigues-Birkett. De origem indígena, a representante permanente da Guiana na ONU defende o fortalecimento do multilateralismo.
O governo do Brasil, por meio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, manifestou apoio à candidatura de Michelle Bachelet em fevereiro, posição compartilhada pelo México.
Processo de escolha e transparência
A eleição segue um rito de maior transparência desde 2016, com regras reforçadas por uma resolução do ano passado. Atualmente, a ONU divulga oficialmente os currículos, as propostas e a origem do financiamento de cada campanha, além de promover diálogos públicos com a sociedade civil e Estados-membros.
A definição do nome ocorre em duas etapas principais:
- Conselho de Segurança: O candidato deve obter ao menos nove votos favoráveis e não sofrer o veto de nenhum dos cinco membros permanentes (Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido).
- Assembleia Geral: Após a recomendação do Conselho, os 193 Estados-membros realizam a nomeação oficial.
O mandato terá duração de cinco anos, com a possibilidade de uma única recondução. Caso Michelle Bachelet ou Carolyn Rodrigues-Birkett sejam eleitas, a organização terá, pela primeira vez em 80 anos, uma mulher na liderança máxima.