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Sistema de segurança elétrica reduz em até 70% o risco de incêndios florestais na Austrália

19 de Julho de 2026 às 06:32

O estado de Victoria, na Austrália, implementou o sistema Rapid Earth Fault Current Limiters (REFCL) em 31 mil quilômetros de linhas de alta tensão. A tecnologia reduz a tensão da rede em milissegundos para evitar a combustão, diminuindo em até 70% o risco de incêndios florestais causados pela distribuição elétrica

Sistema de segurança elétrica reduz em até 70% o risco de incêndios florestais na Austrália
EFE

O estado de Victoria, na Austrália, implementou um sistema de segurança elétrica que reduziu em até 70% o risco de incêndios florestais causados por redes de distribuição. A tecnologia, pioneira no mundo, utiliza dispositivos conhecidos como Rapid Earth Fault Current Limiters (REFCL), capazes de detectar contatos entre linhas elétricas, solo ou vegetação e reduzir a tensão da rede em milissegundos.

Essa medida foi a resposta direta ao "Sábado Negro", ocorrido em 7 de fevereiro de 2009, quando uma série de incêndios devastou a região. O desastre resultou em 173 mortes, mais de 500 feridos e a queima de 450 mil hectares. A cidade de Marysville foi a mais atingida, perdendo 90% de suas edificações e registrando 39 óbitos. Na ocasião, um cabo energizado caiu sobre uma grade metálica, iniciando chamas em um terreno seco.

Tecnologia de prevenção e monitoramento

O programa de segurança Powerline Bushfire Safety Program (PBSP), criado dois anos após a tragédia com base em recomendações de uma Comissão Real, instalou 45 interruptores de segurança em 31 mil quilômetros de linhas de alta tensão. Essa infraestrutura cobre metade da rede nas áreas de maior risco do estado.

Diferente de um disjuntor comum, o REFCL não interrompe o fornecimento de energia em falhas temporárias, como o toque breve de vegetação na linha. O dispositivo reduz a voltagem para níveis abaixo do ponto de combustão e a eleva posteriormente para compensar a oscilação. Em um único ano, a tecnologia evitou 33 incêndios potencialmente catastróficos através de 19 interruptores.

Desde a implementação do programa, Victoria não registrou nenhum incêndio florestal grave originado pela rede de distribuição. Atualmente, o modelo está sendo testado para ser replicado em áreas da Califórnia, nos Estados Unidos.

Urbanismo e resiliência estrutural

Além da rede elétrica, a reconstrução de localidades como Kilmore East e Marysville seguiu normas rigorosas de urbanismo. Edifícios construídos após 2009 devem possuir telhados de materiais não inflamáveis, fachadas de pedra calcária compactada ou concreto e janelas resistentes ao fogo. As novas estruturas também exigem sistemas de água, sinalização e acessos facilitados para bombeiros.

Alan March, professor de urbanismo da Universidade de Melbourne, destaca que o planejamento deve considerar a crise climática, que tem prolongado as temporadas de fogo com verões mais secos e ventosos. O especialista aponta que, embora a resistência estrutural seja fundamental, algumas áreas podem se tornar perigosas demais para a habitação humana.

Comparativo com a situação na Espanha

A experiência australiana serve de alerta para a Espanha, que enfrenta um verão com diversos focos de incêndio, como o ocorrido em Los Gallardos, em Almeria, que deixou treze mortos e 7 mil hectares queimados. A semelhança reside na combinação de calor extremo, ventos fortes e falhas elétricas.

Na Espanha, a falta de dados atualizados dificulta a análise das causas; as últimas estatísticas, de dez anos atrás, indicavam que 1,4% dos incêndios eram causados por cabos e transformadores. March observa que muitas construções espanholas de pedra possuem vulnerabilidades, como aberturas de ventilação que permitem a entrada de brasas, tornando as casas armadilhas.

O modelo de Victoria, que une tecnologia de rede, normas rígidas de construção e programas de educação para evacuação precoce, é apontado como uma solução aplicável para melhorar a segurança de cidades e casas em áreas de risco na Europa.

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