Surto de hantavírus em cruzeiro mobiliza governos e a OMS após atracação na Espanha
Surto de hantavírus dos Andes no cruzeiro MV Hondius causou três mortes e cinco casos confirmados entre passageiros. A operação de desembarque em Tenerife envolveu protocolos de biossegurança e a repatriação de viajantes para diversos países. O navio seguirá para desinfecção em Roterdã
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Um surto de hantavírus a bordo do cruzeiro MV Hondius mobilizou governos de diversos países e a Organização Mundial da Saúde (OMS) após a embarcação atracar em Tenerife, na Espanha. A crise sanitária já resultou em três mortes e cinco diagnósticos positivos entre passageiros que haviam deixado o navio anteriormente. O vírus identificado no surto é o dos Andes, que, diferentemente de outras variantes transmitidas por fezes e urina de roedores, pode ser propagado entre seres humanos em casos específicos.
A operação de desembarque das mais de 140 pessoas a bordo ocorreu sob rigoroso protocolo de biossegurança. Passageiros e trabalhadores portuários utilizaram roupas especiais e máscaras, e os viajantes foram pulverizados com desinfetante antes de embarcarem em voos militares e governamentais para seus países de origem. Os espanhóis foram os primeiros a deixar a embarcação, seguindo para um hospital militar em Madri.
Na França, a ministra da Saúde, Stéphanie Rist, confirmou que uma passageira testou positivo para o vírus e apresenta piora no quadro clínico. Outros quatro franceses foram testados e, embora os resultados iniciais tenham sido negativos, novos exames serão realizados. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu havia alertado que um dos cinco cidadãos franceses evacuados já manifestava sintomas durante o voo para Paris. Para conter a propagação, o governo francês identificou 22 contatos da paciente infectada e editará um decreto para implementar quarentena de 72 horas para avaliação médica.
Nos Estados Unidos, um dos 17 passageiros repatriados testou positivo para o hantavírus, apesar de não apresentar sintomas. O grupo chegou a Omaha na segunda-feira (11), e o paciente será encaminhado à Unidade de Biocontenção da universidade local, enquanto os demais passageiros seguirão para monitoramento na Unidade Nacional de Quarentena.
A resposta sanitária se estende a outras nações. No Reino Unido, os passageiros serão hospitalizados por 72 horas e, posteriormente, cumprirão seis semanas de isolamento domiciliar. Médicos militares britânicos também foram enviados a Tristão da Cunha para investigar a suspeita de infecção em um morador que desembarcou do navio no mês passado. Na Holanda, um voo de evacuação pousou em Eindhoven transportando cidadãos de diversas nacionalidades, incluindo alemães, indianos, argentinos, belgas, gregos, portugueses, ucranianos, guatemaltecos, filipinos e montenegrinos. Na Espanha, uma mulher sob suspeita de infecção testou negativo.
Durante a evacuação, os passageiros puderam levar apenas itens essenciais, como documentos e celulares, abandonando as bagagens. O navio seguirá para Roterdã para passar por desinfecção, mantendo a bordo parte da tripulação e o corpo de um passageiro que faleceu durante a viagem.
Apesar da complexidade da operação, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o risco para a população em geral permanece baixo.