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Trump registra a pior aprovação nos primeiros 100 dias de governo em 80 anos

17 de Maio de 2026 às 15:05

Pesquisa da Reuters e Ipsos de 11 de maio indica que 63% dos norte-americanos desaprovam a gestão de Donald Trump. O índice de rejeição é impulsionado pela condução econômica e pela guerra com o Irã. O presidente registra a menor aprovação nos primeiros 100 dias de governo entre líderes dos últimos 80 anos

Trump registra a pior aprovação nos primeiros 100 dias de governo em 80 anos
Gui Sousa/Arte g1

Donald Trump enfrenta um cenário de forte rejeição nos Estados Unidos, com índices de desaprovação que superam 60% há quase dois meses. De acordo com dados da Reuters e do instituto Ipsos, o levantamento de 11 de maio indica que 63% dos norte-americanos desaprovam a gestão do presidente, enquanto apenas 36% a aprovam, com margem de erro de três pontos percentuais. Esse quadro representa uma leve melhora em relação ao final de abril, quando a aprovação atingiu a mínima histórica de 34% e a desaprovação chegou a 64%.

A atual avaliação negativa é comparável ao pior momento de Joe Biden, que teve 35% de aprovação em outubro de 2024, embora a rejeição de Biden nunca tenha ultrapassado a marca de 60%. Outro dado relevante, divulgado em 27 de abril por uma pesquisa Ipsos para o The Washington Post e ABC, aponta que Trump detém a pior aprovação nos primeiros 100 dias de governo entre todos os presidentes americanos dos últimos 80 anos.

A queda de popularidade está atrelada a pautas econômicas e crises de imagem. A aprovação começou a recuar após o anúncio de tarifas contra diversos países em abril de 2025. Somaram-se a isso controvérsias sobre os arquivos da investigação de Jeffrey Epstein e mortes de cidadãos americanos em operações de imigração. No entanto, o fator determinante para o desgaste foi a guerra com o Irã, iniciada em fevereiro, que elevou o preço do barril de petróleo e dos combustíveis.

A economia tornou-se o ponto crítico da gestão. Em 11 de maio, 64% dos americanos desaprovaram a condução econômica de Trump. No final de abril, a aprovação nesta área caiu para 27%, índice inferior ao pior momento de Biden, que registrou 32% em jan/mai de 2023 e dezembro de 2024. O cenário contraria a expectativa do eleitorado de 2024, que aceitava o perfil do republicano em troca de resultados econômicos positivos e da promessa "America First", que criticava o envolvimento dos EUA em conflitos como a guerra entre Rússia e Ucrânia. Contudo, ao assumir a Casa Branca, Trump envolveu-se em novos conflitos internacionais e enfrentou a alta da inflação.

Esse desgaste reflete diretamente nas urnas. Em novembro de 2025, democratas venceram eleições locais, com destaque para a eleição de Zohran Mamdani na prefeitura de Nova York, apesar da campanha direta de Trump contra o candidato. Análises do Politico em abril indicaram que candidatos democratas superaram o desempenho do partido na eleição presidencial de 2024 em 5 pontos.

O risco agora recai sobre as eleições legislativas de 3 de novembro, as Midterms, que renovarão a Câmara dos Representantes e um terço do Senado. Embora os republicanos controlem ambas as casas por margem estreita, a plataforma Race to the WH projeta 70% de chance de os democratas retomarem a Câmara. Para conter a crise, Trump tem pressionado estados conservadores a redesenhar mapas eleitorais para favorecer candidatos de sua legenda.

No plano global, a agenda intervencionista de Trump — que incluiu a captura de Nicolás Maduro na Venezuela e ameaças de anexar o Canadá e a Groenlândia — gerou repercussões variadas. Na Itália, a primeira-ministra Giorgia Meloni sofreu desgaste político interno e foi derrotada em um referendo sobre reforma judicial em março, após a proximidade com o republicano e a impopularidade da guerra no Irã. Meloni chegou a proibir o uso de uma base aérea na Sicília para combates contra o Irã e, em abril, criticou Trump após trocas de ofensas do presidente com o papa Leão XIV.

A guerra contra o Irã também desestabilizou a economia mundial devido ao fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% da produção global de petróleo. Enquanto a Europa sentiu forte pressão econômica, o Brasil, apesar de ser autossuficiente em petróleo, foi impactado pela importação de derivados, resultando na inflação de abril mais alta para o mês em quatro anos. Esse cenário ocorre em um ano eleitoral brasileiro, podendo influenciar o pleito através das turbulências nos preços da energia.

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