Ucrânia utiliza robô de combate para proteger passagem estratégica sem a presença de soldados
A Ucrânia utilizou o robô DevDroid TW 12.7 para proteger uma passagem estratégica durante 45 dias, operando a metralhadora remotamente a 16 quilômetros de distância. O dispositivo, desenvolvido por engenheiros ucranianos, evitou a presença de soldados no local e repeliu ataques russos
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A Ucrânia implementou a primeira operação defensiva de posição totalmente robótica da história militar, utilizando um único posto de metralhadora montado sobre esteiras para proteger uma passagem estratégica. Durante 45 dias consecutivos, o dispositivo repeliu ataques russos sem que houvesse a necessidade de posicionar soldados ucranianos no local, eliminando perdas humanas na zona de combate.
O equipamento utilizado foi o DevDroid TW 12.7, um robô de combate compacto desenvolvido por engenheiros ucranianos, com custo estimado entre 9.000 e 27.000 euros. A operação era coordenada por um operador situado a 16 quilômetros da linha de frente, que utilizava drones aéreos para detectar movimentos inimigos em tempo real e disparar a metralhadora contra os alvos.
Essa iniciativa reflete uma tendência de automação no campo de batalha. Atualmente, robôs terrestres realizam 80% das tarefas logísticas ucranianas, incluindo a evacuação de feridos, transporte de munições e explosivos, além da instalação de minas. O Ministério da Defesa da Ucrânia planeja expandir essa proporção para 100%, integrando drones terrestres para o transporte de veículos aéreos FPV e interceptores.
De acordo com Andrii Biletski, comandante do III Corpo ucraniano, o avanço dessa tecnologia pode permitir a retirada de até um terço da infantaria da linha de frente, permitindo que esses soldados sejam redistribuídos em unidades de elite para missões complexas que as máquinas ainda não conseguem executar. Oleksandr, comandante do Batalhão Alter Ego da 93ª Brigada — unidade focada no desenvolvimento de robôs terrestres —, afirma que a Ucrânia detém uma vantagem de dois anos sobre a Rússia nesse segmento, embora reconheça a alta capacidade de produção em massa do adversário.
Apesar do potencial, a implementação enfrenta barreiras físicas e técnicas. A autonomia das baterias e a rapidez com que a munição se esgota são problemas operacionais críticos. No campo, a solução improvisada envolve a conexão de múltiplas baterias por plataforma, o que não resolve a questão em combates prolongados. Além disso, a taxa de perda de dispositivos é de aproximadamente 10%, índice considerado aceitável por evitar a perda de vidas humanas.
Outro desafio reside na complexidade da operação. Diferente dos drones aéreos, a navegação de veículos terrestres exige maior critério devido a obstáculos como escombros e a geometria irregular de posições destruídas. Por essa razão, David Kirichenko, do think tank Henry Jackson Society, pondera que, embora vitais para 2026, os robôs não são soluções milagrosas para a escassez de pessoal em Kiev.
No campo ético, a Ucrânia mantém a posição de que robôs não devem ter autonomia para tomar decisões de matar, especialmente em territórios habitados por civis, idosos e crianças. O objetivo atual é que a tecnologia aprimore a decisão humana, e não a substitua.
Paralelamente, o Centro de Integração de Inteligência Artificial do Exército dos EUA desenvolve o JEPA Táctico, uma arquitetura de modelagem preditiva projetada para que sistemas não tripulados antecipem ataques adversários. A transição de ferramentas reativas para sistemas proativos é vista como o próximo passo para aumentar a sobrevivência tática e salvar vidas no cenário de guerra.