Política

Associação de empresas de pesquisa se opõe à criação de selo de acurácia do TSE

14 de Julho de 2026 às 15:08

A ABEP manifestou oposição ao Selo Acurácia Eleitoral, proposta do TSE para premiar institutos com estimativas próximas aos resultados oficiais. A entidade argumenta que a qualidade técnica deve prevalecer sobre a proximidade do resultado final

A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) manifestou oposição à proposta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de implementar o Selo Acurácia Eleitoral. A iniciativa, apresentada pelo presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, visa conceder um reconhecimento honorífico aos institutos cujas estimativas de voto apresentem maior proximidade com os resultados oficiais das urnas.

Questionamentos sobre a metodologia e finalidade

A ABEP, que representa empresas de mídia, opinião e mercado, argumenta que a proposta do TSE baseia-se em uma premissa equivocada. Para a entidade, as pesquisas eleitorais servem para mensurar a intenção de voto no instante da coleta, e não como ferramentas de previsão ou promessa de resultado final.

A associação ressalta que variáveis como a mudança de opinião do eleitor, a abstenção ou alterações no comportamento do votante entre a data da entrevista e o dia do pleito invalidam a proximidade do resultado como único critério de qualidade.

Riscos de "incentivo perverso"

Um dos pontos centrais da crítica da ABEP é a possibilidade de a medida gerar um incentivo perverso. A entidade alerta que institutos com baixo rigor metodológico poderiam monitorar levantamentos de empresas consolidadas e ajustar seus próprios números na fase final da campanha para convergirem ao consenso, visando a obtenção do selo.

Para a associação, a qualidade de um levantamento deve ser aferida por critérios técnicos, tais como:
* Desenho amostral;
* Metodologia aplicada;
* Transparência dos dados;
* Execução das entrevistas;
* Cumprimento de boas práticas científicas.

Regras da proposta do TSE

De acordo com a minuta apresentada, o selo consideraria pesquisas registradas e divulgadas ao público que fossem realizadas nos sete dias que antecedem o pleito ou as chamadas pesquisas de boca de urna.

A divisão de competências para a avaliação seria a seguinte:
* TSE: Responsável pelos levantamentos de eleições presidenciais.
* TREs: Responsáveis pelas pesquisas de governos estaduais e do Distrito Federal.

Embora a proposta já esteja delineada, a metodologia de cálculo para a proximidade com as urnas e os critérios específicos de concessão ainda não foram definidos. O TSE estabeleceu o prazo até sexta-feira (17) para receber sugestões dos institutos de pesquisa.

A ABEP reiterou o respeito à função do TSE na manutenção da lisura do processo eleitoral, mas defendeu que qualquer alteração nas regras de avaliação seja construída mediante diálogo com a comunidade científica e as empresas do setor.

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