Política

Banqueiro preso por fraudes repassou R$ 61 milhões para filme sobre Jair Bolsonaro

17 de Maio de 2026 às 18:01

O banqueiro Daniel Vorcaro comprometeu R$ 134 milhões, com R$ 61 milhões pagos, para financiar o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro. O senador Flávio Bolsonaro e o deputado cassado Eduardo Bolsonaro atuaram na captação de recursos e produção executiva. A Polícia Federal investiga se a verba foi usada para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos

Documentos e mensagens revelam que o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, comprometeu-se a repassar R$ 134 milhões para o financiamento do filme biográfico "Dark Horse", sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Desse montante, ao menos R$ 61 milhões foram efetivamente pagos. O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência, atuou diretamente nas negociações, solicitando recursos ao banqueiro.

A relação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro foi marcada por contradições. Inicialmente, o senador negou qualquer contato com o empresário e tentou vincular o escândalo do Banco Master ao governo federal. Contudo, após a divulgação de diálogos em que chamava Vorcaro de "irmão" e pedia "uma luz" em novembro de 2025, Flávio admitiu ter mentido, justificando a omissão por meio de uma cláusula de confidencialidade no contrato de financiamento. O senador também alegou que a proximidade era estritamente profissional e limitada ao filme, embora as mensagens indiquem a organização de jantares entre ambos.

Apesar de Flávio ter defendido a criação de uma CPMI para investigar o Banco Master e ter utilizado, em evento de pré-campanha, a frase “O PIX é do Bolsonaro; o Master é do Lula”, as evidências mostram que ele continuou a solicitar dinheiro a Vorcaro até novembro de 2025. Na ocasião, o senador demonstrou desconhecer o orçamento total da obra e o nome do fundo de investimento responsável.

O deputado cassado Eduardo Bolsonaro também alterou suas versões sobre o projeto. Primeiro, afirmou ter apenas apresentado um advogado para a gestão financeira. Posteriormente, após a revelação de um contrato assinado em janeiro de 2024, admitiu ter atuado como produtor-executivo, função que envolvia a captação de recursos e decisões estratégicas de financiamento. Eduardo alegou que assumiu a função para evitar a interrupção do projeto e que recuperou US$ 50 mil investidos inicialmente.

A Polícia Federal investiga se o financiamento do filme foi utilizado para mascarar transferências destinadas a custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde reside desde fevereiro do ano passado. O valor de R$ 61 milhões aportado por Vorcaro supera em mais de duas vezes o orçamento de "O Agente Secreto", obra que representou o Brasil no Oscar 2026. Eduardo negou o recebimento irregular de recursos, afirmando que seu status migratório impediria tal prática.

O produtor executivo Mário Frias também apresentou versões conflitantes. Inicialmente, negou a existência de qualquer valor de Daniel Vorcaro no filme. Após a repercussão dos fatos e a admissão de Flávio Bolsonaro, Frias recuou e afirmou que o vínculo jurídico do projeto era com a Entre Investimentos e Participações, empresa parceira de Vorcaro, e não diretamente com o banqueiro.

Daniel Vorcaro encontra-se preso em São Paulo, sob acusação de liderar um esquema de fraudes financeiras estimado pela Polícia Federal em R$ 12 bilhões.

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