Política

Estados Unidos classificarão o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas a partir de junho

29 de Maio de 2026 às 09:19

O Departamento de Estado dos Estados Unidos classificará o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de 5 de junho. A medida, anunciada por Marco Rubio, amplia as sanções econômicas contra indivíduos e entidades ligados a essas facções

Estados Unidos classificarão o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas a partir de junho
Reprodução/Instagram/@flaviobolsonaro

O Departamento de Estado dos Estados Unidos classificará o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir do dia 5 de junho. A medida foi anunciada nesta quinta-feira (28/5) pelo secretário de Estado, Marco Rubio, que descreveu as facções como duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil.

A decisão ocorre após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com Rubio e com o presidente Donald Trump na Casa Branca, ocasião em que solicitou a designação dos grupos como terroristas. O anúncio sucede um período de lobby realizado pelos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos de prisão após condenação por tentativa de subversão da democracia.

A classificação coloca as facções brasileiras em uma lista que inclui grupos como Al-Qaeda, Hamas e Estado Islâmico. Na prática, a medida amplia o poder de sanções econômicas dos Estados Unidos contra entidades ou indivíduos ligados a essas organizações. Devido à infiltração do crime organizado na economia formal — com atuação em mercados de criptomoedas, commodities, imobiliário e distribuição de gás —, instituições financeiras brasileiras podem se tornar vulneráveis a sanções americanas.

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva era contrário à medida, sob o argumento de que as facções não possuem objetivos ideológicos e que a classificação poderia abrir precedentes para intervenções militares dos Estados Unidos em território brasileiro. A decisão é vista como um ponto de tensão nas relações diplomáticas entre Brasília e Washington, que haviam iniciado um processo de reaproximação após a visita de Lula aos Estados Unidos no início do mês.

A movimentação de Trump segue um padrão de designação de diversas gangues latino-americanas como terroristas, estratégia que críticos associam a uma tentativa de expandir a influência militar dos EUA no Hemisfério Ocidental. Enquanto governos de direita, como os do Equador e Honduras, apoiam tais medidas, nações lideradas por governos de centro-esquerda, a exemplo de México e Brasil, manifestaram oposição.

No cenário interno, a medida é interpretada como um suporte político a Flávio Bolsonaro, que pretende disputar a Presidência da República em outubro contra o atual mandatário, a quem acusa de leniência com a criminalidade.

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