Política

Flávio Bolsonaro defende observadores internacionais e afirma que Brasil utiliza urnas de empresa venezuelana

22 de Julho de 2026 às 09:06

O senador Flávio Bolsonaro defendeu a presença de observadores internacionais nas eleições brasileiras e afirmou que o país utiliza urnas da empresa Smartmatic, informação negada pelo TSE. O parlamentar enfrenta dificuldades para ampliar sua base partidária e registra queda na intenção de voto após polêmicas com o banqueiro Daniel Vorcaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro

Em evento privado realizado em Brasília, o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à presidência da república, defendeu a presença de observadores internacionais nas próximas eleições brasileiras. Durante a reunião com representantes de aproximadamente 40 países, o parlamentar afirmou que o Brasil utiliza urnas produzidas pela empresa venezuelana Smartmatic.

O senador fundamentou sua fala citando um relatório da CIA que vincularia a referida companhia a fraudes eleitorais ocorridas na Venezuela em 2012. No entanto, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já desmentiu a associação, reiterando que não utiliza equipamentos da Smartmatic. Apesar das declarações, Flávio Bolsonaro negou que estivesse questionando a integridade do sistema eleitoral do país.

Articulações Políticas e Alianças

A manifestação ocorre em um período estratégico de convenções partidárias, momento em que as pré-candidaturas buscam consolidar alianças e definir a composição de chapas. Atualmente, Flávio Bolsonaro enfrenta obstáculos para expandir sua base de apoio fora do PL. Partidos como União Brasil, Progressistas e Republicanos ainda mantêm negociações para uma adesão formal, medida essencial para ampliar a distribuição de tempo de propaganda no rádio e na televisão.

Nesse cenário de instabilidade nas negociações, a senadora Tereza Cristina (PP), que era considerada para a vaga de vice-presidente, informou a aliados que não pretende assumir o cargo.

Desgastes na Pré-Candidatura

A imagem do pré-candidato tem sido impactada por crises recentes. Uma delas envolve a solicitação de recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master, para a produção de um filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. De acordo com dados da pesquisa Quaest, 12% dos entrevistados afirmaram que a relação com Vorcaro diminuiu a intenção de votar no senador.

Outro ponto de desgaste refere-se a divergências com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro sobre a eleição no Ceará. O conflito expôs fragilidades de Flávio junto ao eleitorado feminino, segmento onde ele apresenta seu menor desempenho. Levantamentos da Quaest indicam que 42% dos respondentes concordam com a posição de Michelle após a divulgação de vídeos em que ela relata ter sido humilhada pelo senador, enquanto 18% apoiam Flávio.

A estratégia de questionar a origem das urnas, embora alinhada ao discurso de Jair Bolsonaro, pode gerar resistências entre eleitores independentes e setores da direita não bolsonarista, públicos essenciais para a expansão da viabilidade eleitoral do senador.

Notícias Relacionadas