Política

Flávio Bolsonaro pede mais observadores internacionais para as eleições após citar empresa venezuelana em evento

22 de Julho de 2026 às 06:13

O senador Flávio Bolsonaro afirmou a diplomatas que as urnas eletrônicas brasileiras teriam a mesma origem que equipamentos da empresa Smartmatic. O TSE nega a utilização de urnas da companhia e informa que o software é gerido exclusivamente pela Justiça Eleitoral

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, reiterou críticas às urnas eletrônicas brasileiras durante a série de eventos "Debatendo o Brasil", promovida pela Novo Selo Comunicação e pelo The Brazilian Report. Em reunião com diplomatas e representantes de quase 50 países e organizações internacionais, o parlamentar alegou que o sistema de votação nacional teria a mesma origem que os equipamentos da empresa venezuelana Smartmatic.

De acordo com o senador, um relatório da CIA indicaria que a referida empresa participou de um esquema de fraude nas eleições de 2012 na Venezuela. Apesar das afirmações, Flávio Bolsonaro declarou que não questionava o sistema de votação do Brasil, mas solicitou que as nações enviem um número maior de observadores eleitorais.

Posicionamento do TSE

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nega que utilize urnas fornecidas pela Smartmatic. Em comunicados oficiais, incluindo notas de 2020 e atualização de julho de 2026, a Corte esclarece que a empresa não fornece os equipamentos. O tribunal informou ainda que a Smartmatic perdeu uma licitação para a fabricação de urnas em 2020, embora já tenha prestado serviços de conexão de voz e dados.

Em 2022, o órgão reafirmou que o software das urnas é desenvolvido e gerido exclusivamente pela Justiça Eleitoral, sem que a empresa venezuelana tenha acesso ao programa.

Defesa e Contexto Jurídico

A campanha de Flávio Bolsonaro, por meio de nota assinada pelo senador, pelo coordenador da pré-campanha Rogério Marinho e pela coordenadora jurídica Maria Claudia Bucchianeri, afirmou que as declarações foram descontextualizadas. O documento sustenta que o pré-candidato não questionou a integridade do sistema, mas relatou fatos relacionados ao relatório da CIA e aos motivos da inelegibilidade de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A defesa argumenta que a intenção era sugerir melhorias na transparência e confiança do processo eleitoral.

O episódio remete a um evento ocorrido em 18 de julho de 2022, quando Jair Bolsonaro utilizou a estrutura do Palácio da Alvorada para apresentar suspeitas, sem provas, sobre a segurança das urnas e as eleições de 2018 a embaixadores estrangeiros. Na ocasião, o ex-presidente baseou-se em um inquérito da Polícia Federal sobre a invasão de um hacker ao sistema do TSE, fato que o tribunal classificou como bloqueado e sem interferência nos resultados.

Devido a esse evento, que foi transmitido pela TV Brasil com acesso restrito à imprensa, Jair Bolsonaro foi condenado pelo TSE por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, resultando em sua inelegibilidade por oito anos, com prazo até 2030. O sistema de voto eletrônico, utilizado no Brasil desde 1996, não possui registros confirmados de fraude ou adulteração.

Com informações de G1

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