Número de eleitores brasileiros no exterior cresce 31,8% desde 2022 segundo o TSE
O número de eleitores brasileiros no exterior cresceu 31,8% desde 2022, atingindo 918,9 mil pessoas, segundo o TSE. Os Estados Unidos concentram o maior volume com 265,4 mil cadastrados, enquanto Lisboa registrou a maior expansão nominal. O grupo é composto majoritariamente por mulheres e pessoas entre 30 e 54 anos
O número de eleitores brasileiros no exterior registrou um crescimento de 31,8% desde 2022, totalizando 918,9 mil pessoas aptas a votar fora do país. Os dados, divulgados nesta segunda-feira (20) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), indicam um aumento de aproximadamente 221,8 mil cadastros em quatro anos.
Embora representem 0,58% do total de 158,7 milhões de eleitores do Brasil, esse grupo apresenta características distintas da média nacional. O perfil é marcado por maior escolaridade, predominância de pessoas solteiras e menor dependência de biometria.
Concentração Geográfica e Fluxos Migratórios
A distribuição dos votantes está fortemente concentrada em poucas localidades. Apenas dez cidades reúnem 424.714 eleitores, o que equivale a 46,2% de todo o eleitorado externo. Quando a análise é expandida para as 20 maiores zonas, a proporção sobe para 66,7%, distribuídas entre as 186 localidades abrangidas pelos registros do TSE.
Os Estados Unidos detêm o maior volume absoluto, com 265,4 mil cadastrados (28,89% do total), apresentando um salto em relação aos 182,9 mil registrados em 2022. No entanto, Portugal demonstra a expansão mais acelerada. A capital portuguesa, Lisboa, foi a cidade com o maior aumento nominal, somando 33,564 novos eleitores desde 2022 — um crescimento de 74,1%, totalizando 78,8 mil pessoas.
Esse fenômeno é impulsionado pela imigração. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE) de Portugal, brasileiros formam a maioria dos imigrantes regulares no país, somando pelo menos 574.195 pessoas até o fim de 2025.
Distribuição por Países e Cidades
Abaixo, a concentração de eleitores nos principais destinos:
| País | Número de Eleitores | Percentual do Total |
|---|---|---|
| Estados Unidos | 265,4 mil | 28,89% |
| Portugal | 134,7 mil | 14,67% |
| Japão | 88,4 mil | 9,62% |
| Canadá | 46,5 mil | 5,06% |
| Alemanha | 41,5 mil | 4,52% |
No ranking de cidades, destacam-se:
- Lisboa (Portugal): 78,8 mil
- Boston (EUA): 53,4 mil
- Porto (Portugal): 47,7 mil
- Nagóia (Japão): 44,6 mil
- Miami (EUA): 40,1 mil
A presença japonesa é significativa, com Nagóia e Tóquio (30 mil) somando, junto a Hamamatsu (13,7 mil), quase 89 mil eleitores. Enquanto destinos como Hartford (+128%) e Los Angeles (+63%) cresceram, outras localidades estagnaram ou recuaram, como Miami (-0,2%), Caracas (-20%), Maputo (-17%) e Cayenne (-10%).
Em contrapartida, existem zonas com representação mínima. Cidades como Pyongyang (Coreia do Norte), Dacca (Bangladesh), Cobija (Bolívia) e Santa Elena de Uairen (Venezuela) possuem apenas um eleitor registrado.
Perfil Demográfico e Socioeconômico
A composição do eleitorado no exterior revela disparidades em relação ao cenário interno do Brasil:
- Gênero: Há uma predominância feminina, com 527.734 mulheres (57%) contra 391.142 homens (43%).
- Idade: A maior concentração está na faixa de 30 a 54 anos (59%), sendo o grupo de 40 a 44 anos o mais numeroso, com 124.782 pessoas. Jovens de 16 e 17 anos representam apenas 0,26% do total.
- Escolaridade: O nível educacional é significativamente superior ao nacional. Cerca de 52% possuem ensino superior completo ou incompleto, enquanto no Brasil esse índice é de 17%. O analfabetismo é quase inexistente, atingindo apenas 0,12% dos eleitores externos, contra 3,48% no país.
Esses dados refletem a tendência de emigração de profissionais qualificados, estudantes e trabalhadores especializados. Vale ressaltar que o crescimento do eleitorado não necessariamente acompanha a proporção de brasileiros residentes fora. Segundo a ONU, em 2024, 2,2 milhões de brasileiros viviam no exterior, com as maiores populações nos Estados Unidos, Japão, Espanha, Portugal e Itália.