Renan Santos propõe a redução do número de prefeituras no Brasil para cerca de 1,6 mil
O pré-candidato Renan Santos, do partido Missão, apresentou seu plano de governo para 2026 com propostas de rigor penal contra facções, economia de R$ 1,1 trilhão via ajuste fiscal e redução do número de prefeituras. O projeto prevê a substituição do Bolsa Família por frentes de trabalho e a troca de cotas por bolsas de mérito
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O pré-candidato à Presidência da República Renan Santos, do partido Missão, detalhou nesta terça-feira (21) as diretrizes de seu plano de governo para as eleições de 2026. Intitulado "O futuro é glorioso", o documento é uma síntese do "Livro Amarelo", obra em seis fascículos desenvolvida pelo partido — fundado por membros do Movimento Brasil Livre (MBL) — que sistematiza o projeto político do grupo.
Segurança Pública e Combate ao Crime
A estratégia de segurança baseia-se na implementação do Direito Penal do Inimigo (DPI), teoria do jurista Günter Jakobs. O objetivo é aplicar um rigor penal diferenciado a integrantes de organizações criminosas, iniciando com a declaração de guerra ao crime no primeiro dia de gestão.
Para viabilizar a "retomada territorial" de áreas dominadas por facções, o plano prevê a edição de sucessivos decretos de Estado de Defesa e a criação de uma Lei Antifacção. As medidas incluem:
- Restrição de liberdade de locomoção e retirada de direitos civis e políticos de associados a facções;
- Inversão do ônus da prova para o confisco de bens, onde a ilicitude é presumida até que se prove o contrário;
- Criação de tribunais especializados com magistrados selecionados por critérios técnicos e sob proteção especial.
Inspirado no modelo de Nayib Bukele, em El Salvador, Renan Santos propõe a construção de superpresídios de segurança máxima, semelhantes ao Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT), para o isolamento de lideranças criminosas.
Ajuste Fiscal e Gestão Econômica
No campo econômico, o candidato defende a "PEC do Equilíbrio Fiscal", que projeta uma economia de R$ 1,1 trilhão até 2031. A proposta prevê que aposentadorias e benefícios previdenciários sejam corrigidos apenas pela inflação, desvinculando-os do salário mínimo. Além disso, o plano sugere o fim da obrigatoriedade de destinação de percentuais mínimos da arrecadação para as áreas de saúde e educação.
Outras medidas fiscais envolvem:
- Redução de gastos governamentais e de isenções tributárias;
- Extinção de supersalários no serviço público e alteração nas regras do abono salarial;
- Implementação de reformas para ganho de produtividade e a conversão do Nordeste em um polo industrial.
Reorganização Territorial e Urbana
O plano propõe a "grande consolidação" dos municípios, visando unir cidades consideradas fiscalmente inviáveis. A meta é reduzir o número de prefeituras no Brasil de 5.570 para aproximadamente 1,6 mil.
Para a questão habitacional, o candidato estabeleceu a meta de eliminar as favelas em dez anos. A estratégia consiste na regularização fundiária, monitoramento por satélite contra novas ocupações e a oferta de financiamento imobiliário com juros subsidiados e prazos de até 50 anos. O documento também sugere a tipificação do crime de "favelização" para punir milícias e grileiros.
Reformas Sociais e Educação
Na área social, o Bolsa Família seria substituído por frentes de trabalho remuneradas. Pessoas em idade economicamente ativa (a partir de 15 anos, conforme o IBGE) deixariam de receber transferência de renda direta para atuar em atividades comunitárias condicionadas ao desempenho.
Na educação, as propostas incluem:
- Substituição do sistema de cotas por bolsas de estudo por mérito acadêmico;
- Foco prioritário na educação básica em detrimento do ensino superior;
- Implementação de um Código Nacional de Conduta para reforçar a disciplina e a autoridade docente, com punições objetivas;
- Adoção de escolas militares em zonas de alta criminalidade ou com graves problemas de indisciplina;
- Fim da aprovação automática.
Contexto Político
Confirmado como candidato em convenção por vídeoconferência na segunda-feira (20), Renan Santos apresenta, em artigo introdutório do plano, críticas à polarização política. O pré-candidato classifica a gestão do PT como baseada em "promessas brejeiras" e define o bolsonarismo como um "ajuntamento duvidoso de pilantras e iludidos".
De acordo com pesquisa Quaest, Santos detém 3% das intenções de voto, ficando atrás de Lula (40%), Flávio Bolsonaro (28%) e Ronaldo Caiado (4%). O partido Missão realizará um evento público em São Paulo, no dia 1º de agosto, para a apresentação formal da candidatura e do "Livro Amarelo".