Saúde

Brasil enfrenta risco de reintrodução do sarampo devido ao aumento de casos nas Américas

01 de Junho de 2026 às 12:07

O Ministério da Saúde investiga 468 suspeitas e confirmou três casos de sarampo no Brasil este ano. O Programa Nacional de Imunizações alerta para o risco de reintrodução da doença devido ao aumento de casos nas Américas. A cobertura vacinal brasileira em 2025 foi de 92,66% para a primeira dose e 78,02% para o reforço

Brasil enfrenta risco de reintrodução do sarampo devido ao aumento de casos nas Américas
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O Brasil enfrenta um risco iminente de reintrodução do sarampo, conforme alerta o diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti. A preocupação fundamenta-se no aumento de casos nas Américas, o que pode impactar inclusive países com cobertura vacinal adequada. Atualmente, o Ministério da Saúde investiga 468 suspeitas e registrou três casos confirmados este ano.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o país livre da circulação do vírus em 2024, repetindo o marco de 2016. No entanto, essa certificação já havia sido revogada em 2019, quando o Brasil enfrentou um surto com mais de 21,7 mil infectados. A alta transmissibilidade do vírus, que pode contaminar 90% dos não vacinados em contato com um doente, torna a imunização a principal barreira de controle.

Em 2025, a cobertura vacinal brasileira atingiu 92,66% para a primeira dose e 78,02% para o reforço. Marilda Siqueira, do Instituto Oswaldo Cruz, explica que essa imunidade populacional reduz o impacto da entrada do vírus e freia a disseminação, embora a vacinação individual continue sendo indispensável.

O histórico do controle da doença no país mostra a eficácia da vacina de vírus vivo atenuado, adotada em 1968. A distribuição universal em postos de saúde ocorreu apenas 20 anos depois, e em 1997 o protocolo foi ampliado para duas doses após um surto que atingiu 50 mil crianças. Essas medidas reduziram drasticamente os números: de 61,4 mil casos e 478 mortes em 1990, o país chegou a registrar apenas um caso em 2001, sem ocorrências autóctones naquele ano.

Atualmente, a tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba) é aplicada aos 12 meses, com reforço aos 15 meses. Adultos até 29 anos que não completaram o esquema podem tomar até duas doses, enquanto a faixa entre 30 e 59 anos recebe uma dose caso não haja comprovação de vacinação ou da doença. Pessoas a partir de 60 anos não são vacinadas por presumir-se que já tiveram a patologia. Para quem já contraiu sarampo, a proteção é vitalícia.

Apesar do sistema estabelecido, a hesitação vacinal e a desinformação têm impactado a adesão. Samuel de Melo Barbosa, da UFPE, aponta a correlação entre discursos de desconfiança e a queda na cobertura. Fátima Soares, do Programa Municipal de Imunizações de São Paulo, observa que essa dúvida gera atrasos no calendário infantil.

Somam-se a isso vulnerabilidades estruturais, especialmente na região Norte, onde se concentram as menores coberturas vacinais. Em Manaus, relatos de agentes de saúde indicam precarização, como a falta de equipamentos de proteção e o desvio de função de profissionais para tarefas administrativas. Tais problemas comprometem o rastreio de contatos e a notificação de casos suspeitos, que deve ocorrer em 24 horas.

Para mitigar esses riscos, o Ministério da Saúde e secretarias locais intensificaram a vigilância epidemiológica. A detecção de um caso suspeito dispara a notificação, exames laboratoriais, sequenciamento genético do vírus para rastrear a origem e a vacinação imediata de contatos não imunizados. Alberto Chebabo, infectologista da UFRJ, ressalta que a ausência de casos secundários após as três confirmações deste ano comprova a eficiência dessas ações de controle.

O sarampo manifesta-se através de manchas vermelhas, febre alta (38,5°C), dor no corpo, coriza e irritação ocular. A doença pode evoluir para pneumonia, otite, sinusite, surdez e óbito. O risco de complicações graves, como septicemia, é maior em crianças menores de um ano e em imunossuprimidos, que não podem ser vacinados.

Como medida preventiva, o Ministério da Saúde recomenda que pessoas que pretendam viajar para a Copa tomem a tríplice viral ao menos 15 dias antes do embarque. Pais de crianças a partir de 6 meses que viajarão para áreas endêmicas podem adiantar a aplicação das doses.

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