Saúde

Casos de hepatite A em São Paulo superam no primeiro semestre o total de 2025

24 de Julho de 2026 às 06:11

São Paulo registrou 1.880 casos de hepatite A no primeiro semestre deste ano, superando os 1.663 registros de 2025. A alta concentra-se em regiões específicas, como Ribeirão Preto e Guarulhos, enquanto as notificações de hepatite B e C apresentam declínio

O estado de São Paulo registra um crescimento acentuado nos casos de hepatite A desde 2022. Dados da Secretaria de Estado da Saúde revelam que, apenas no primeiro semestre deste ano, foram notificadas 1.880 ocorrências da doença, volume que já supera a totalidade de casos registrados em todo o ano de 2025, quando o montante foi de 1.663.

A progressão da enfermidade segue uma curva ascendente nos últimos anos: em 2022, houve 294 registros; em 2023, o número subiu para 985; em 2024, atingiu 1.176 e manteve a alta no período atual. De acordo com Alessandra Lucchesi, diretora da Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar da pasta estadual, a hepatite A é a única entre as principais hepatites virais com crescimento consistente, superando inclusive os índices da epidemia ocorrida em 2017 no estado.

Fatores de risco e cenário regional

O aumento dos casos é atribuído a causas múltiplas, incluindo a ingestão de água e alimentos contaminados, práticas sexuais que favoreçam a transmissão fecal-oral, compartilhamento de agulhas e seringas, além de enchentes e enxurradas que podem comprometer a qualidade da água.

Embora os números sejam expressivos, a Secretaria da Saúde não classifica a situação como uma epidemia em todo o território paulista, pois a alta está concentrada em regiões específicas, como Ribeirão Preto. Na Grande São Paulo, o município de Guarulhos apresentou um surto da doença, com suspeitas de contaminação hídrica. A Prefeitura de Guarulhos mantém o monitoramento da situação e, embora os dados recentes indiquem queda, ainda não declarou o encerramento do problema. As medidas locais incluem vacinação seletiva de contatos de infectados, investigação de casos, vigilância epidemiológica e orientações à população.

Prevenção e diagnóstico

A hepatite A é causada por um vírus transmitido principalmente por via fecal-oral, estando ligada a condições precárias de saneamento e higiene. A vacinação é a principal forma de prevenção, estando disponível no calendário infantil do SUS em dose única aos 15 meses. Grupos específicos de adultos, como transplantados, imunossuprimidos e usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP), também têm indicação vacinal.

Além da imunização, recomenda-se a higienização rigorosa de alimentos, o consumo de água de procedência confiável e a lavagem das mãos após utilizar o banheiro e antes das refeições.

As hepatites virais atacam o fígado e podem ser assintomáticas por longos períodos. Quando manifestam sintomas, os sinais incluem:

  • Febre, mal-estar e cansaço;
  • Náuseas, vômitos e dores abdominais;
  • Urina escura e coloração amarelada na pele e nos olhos.

Ações de conscientização e controle

Enquanto a hepatite A sobe, as notificações de hepatite B e hepatite C apresentam declínio em São Paulo. Entre 2022 e 2025, a hepatite B caiu 14,6% (de 2.488 para 2.124 casos) e a hepatite C recuou 20,1% (de 3.405 para 2.722).

Durante o Julho Amarelo, mês de conscientização sobre as doenças, cidades da Grande São Paulo intensificaram a testagem e a prevenção. Em Diadema, a prefeitura realizou 19 atividades, incluindo diálogos com manicures devido ao uso de materiais perfurocortantes, visando a prevenção das hepatites B e C. Na capital, as Unidades Básicas de Saúde ampliaram a oferta de exames para diagnóstico precoce e reforçaram a vacinação contra a hepatite B para todas as pessoas não vacinadas, independentemente da idade.

Com informações de G1

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