Estudo indica que intervenções sistemáticas no estilo de vida melhoram a saúde cerebral de idosos
O modelo PNDS, publicado em janeiro de 2026, associa a demência a fatores biológicos e determinantes socioeconômicos. O estudo LatAm-FINGERS, realizado em 11 países, incluindo o Brasil, comprovou que intervenções sistemáticas de estilo de vida melhoram a memória e a função cognitiva
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A compreensão sobre a doença de Alzheimer está expandindo para além da análise de proteínas tau e placas beta-amiloides no cérebro. Exames realizados após a morte de pacientes com demência revelam que outros fatores, como microinfartos cerebrais (acidentes vasculares microscópicos) e o acúmulo de gorduras, contribuem para a perda da capacidade cognitiva, mesmo quando não apresentam sintomas iniciais.
Essa nova perspectiva fundamenta o "Modelo de Sindemias da Neurociência Populacional-Demência" (PNDS), publicado em janeiro de 2026. O conceito de sindemia — termo cunhado pelo antropólogo Merrill Singer nos anos 1990 — refere-se à interação entre duas ou mais doenças que se potencializam mutuamente, tendo seu impacto agravado por contextos socioeconômicos.
Impacto de fatores sociais na saúde cerebral
A abordagem do PNDS destaca que a demência não é influenciada apenas por questões biológicas, mas também por determinantes políticos, ambientais e socioculturais. Elementos como pobreza, poluição, racismo, sexismo, capacitismo, além de desastres naturais, guerras e mudanças climáticas, geram estresse e aceleram o envelhecimento biológico, favorecendo o surgimento da patologia.
Intervenções de estilo de vida na América Latina
Nesse cenário, a "Iniciativa Latino-Americana para Intervenção no Estilo de Vida para Prevenir o Declínio Cognitivo" (LatAm-FINGERS), com financiamento da Alzheimer's Association, testou estratégias adaptadas culturalmente para mitigar riscos de demência. O estudo, que envolveu 1.065 participantes em 12 centros de 11 países — incluindo Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, México, Peru e Uruguai —, corroborou dados do estudo norte-americano U.S. POINTER.
A pesquisa demonstrou que a saúde cerebral pode ser aprimorada em comunidades com diferentes níveis de acesso a recursos, independentemente de escolaridade, status socioeconômico ou etnia. A eficácia foi observada em intervenções de múltiplos domínios, que englobam:
- Alimentação saudável;
- Atividade física;
- Treinamento cognitivo;
- Engajamento social.
Comparativo de eficácia no suporte ao idoso
Durante dois anos, os voluntários foram divididos em dois grupos para avaliar o impacto do nível de suporte recebido:
- Intervenção Sistemática no Estilo de Vida (ISE): 539 pessoas receberam mentoria contínua, exercícios supervisionados, aconselhamento nutricional, monitoramento de risco cardiovascular, treinamento cognitivo via computador e 38 reuniões grupais.
- Intervenção Flexível no Estilo de Vida (IFE): 526 pessoas receberam apenas recomendações gerais e educação em saúde, participando de quatro reuniões sobre dieta, atividade física e manejo vascular, sem supervisão constante.
Os resultados indicaram que o grupo ISE obteve uma melhora significativamente superior em relação ao grupo IFE, especialmente no que diz respeito à memória, função executiva e velocidade de processamento cognitivo.