Saúde

Estudo indica que perda de peso rápida sob supervisão é mais eficaz que emagrecimento gradual

29 de Maio de 2026 às 09:23

Estudo norueguês apresentado no Congresso Europeu sobre Obesidade indica que a perda de peso rápida supervisionada é mais eficaz e sustentável que a gradual. A pesquisa com 284 adultos mostrou reduções de peso superiores e maior alcance de metas de IMC e risco cardiovascular no grupo de emagrecimento acelerado

Um estudo apresentado no Congresso Europeu sobre Obesidade (ECO 2026), em Istambul, na Turquia, indica que a perda de peso rápida, quando realizada sob supervisão, pode ser mais eficaz e sustentável do que o emagrecimento gradual, sem aumentar o risco de recuperar a massa perdida. A pesquisa, conduzida pelo Vestfold Hospital Trust, na Noruega, em parceria com a empresa Roede AS, acompanhou 284 adultos com obesidade durante um ano, com idades médias de 49 anos no grupo de perda rápida e 48 anos no grupo de perda gradual.

Os resultados desafiam a recomendação médica tradicional de que a perda gradual seria a única via sustentável, argumento que, segundo a autora principal do estudo, Line Kristin Johnson, baseava-se em estudos observacionais de pequena escala e carecia de suporte em ensaios clínicos randomizados de alta qualidade.

A metodologia dividiu os participantes em dois grupos iguais. O grupo de emagrecimento rápido seguiu uma dieta restritiva nas primeiras 16 semanas: menos de 1.000 calorias diárias nas primeiras oito semanas, menos de 1.300 entre a nona e a décima segunda, e menos de 1.500 entre a décima terceira e a décima sexta semana. Já o grupo de perda gradual manteve uma redução moderada, consumindo entre 800 e 1.000 calorias abaixo do gasto energético diário estimado, com média de 1.400 calorias por dia. Após esse período, ambos os grupos passaram por um programa de prevenção do reganho de peso durante 36 semanas, com webinars, sessões presenciais, contatos telefônicos e por vídeo, além de ajustes calóricos.

A eficácia da abordagem rápida manifestou-se já nos primeiros meses. Nas 16 semanas iniciais, esse grupo perdeu, em média, 12,9% do peso corporal, enquanto o grupo gradual perdeu 8,1%. Ao final de um ano, a redução média foi de 14,4% para quem emagreceu rapidamente e de 10,5% para quem seguiu o ritmo gradual.

O impacto clínico também foi superior no grupo de perda rápida. No quesito Índice de Massa Corporal (IMC), 28,3% dos participantes atingiram a meta de 27 kg/m² ou menos — nível que pode reduzir riscos de doenças relacionadas à obesidade por até dez anos —, enquanto apenas 9,7% do grupo gradual alcançaram o mesmo índice. Na relação cintura-estatura, indicador de risco cardiovascular, a meta foi atingida por 33% do grupo de perda rápida contra 18,4% do grupo gradual. A pesquisadora Line Kristin Johnson pontuou que a perda acelerada também favoreceu a redução de riscos de hipertensão, diabetes tipo 2, osteoartrite de quadril e joelho, e doença cardiovascular aterosclerótica.

Johnson sugere que o impacto motivacional das perdas iniciais intensas pode explicar esses resultados, embora ressalte que o estudo focou em desfechos clínicos e não nos mecanismos psicológicos da adesão.

Apesar dos dados, a aplicação dessa estratégia exige cautela. A perda rápida de peso não é indicada para gestantes, lactantes, idosos frágeis, pacientes com câncer, pessoas com doenças crônicas graves, indivíduos com transtornos alimentares (ou risco de desenvolvê-los) e aqueles sem capacidade de seguir um acompanhamento estruturado.

A autora alerta que a tentativa de reproduzir essas dietas sem orientação profissional pode causar deficiências nutricionais, baixa sustentabilidade, desistências e o uso de métodos inseguros. Sem a transição estruturada para a fase de manutenção, a perda rápida pode desencadear adaptações metabólicas e aumento da fome, favorecendo o efeito rebote.

Uma limitação do estudo é a composição da amostra, composta por cerca de 90% de mulheres, o que restringe a generalização dos achados para o público masculino. No entanto, os autores defendem que programas estruturados de emagrecimento podem ser alternativas viáveis diante da dificuldade de acesso a cirurgias bariátricas e medicamentos, auxiliando na redução da sobrecarga dos sistemas públicos de saúde.

Com informações de G1

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