Saúde

Estudo revela que brasileiros resistem a buscar auxílio médico mesmo ao identificarem sintomas de câncer colorretal

22 de Julho de 2026 às 06:14

Estudo do A.C.Camargo Cancer Center e Nexus aponta resistência na busca por auxílio médico mesmo diante de sintomas de câncer de intestino. Em São Paulo, casos em menores de 50 anos cresceram quase 3% ao ano entre 2000 e 2023. Um novo protocolo nacional prevê exames de rastreamento pelo SUS para pessoas entre 50 e 75 anos

A detecção precoce do câncer de intestino pode elevar as chances de cura para mais de 90%, porém a negligência diante dos primeiros sinais e a falta de informação sobre exames preventivos ainda são barreiras críticas no Brasil. Um estudo inédito conduzido pelo A.C.Camargo Cancer Center e pela Nexus revela que, embora a população identifique sintomas comuns, há uma resistência significativa em buscar auxílio médico.

Barreiras no diagnóstico e percepção de sintomas

A pesquisa indica que 67% dos participantes reconhecem o sangue nas fezes como um sintoma de câncer colorretal, e 80% classificam esse sinal como grave. No entanto, a conscientização não se traduz em ação: dos 9% dos entrevistados que notaram a presença de sangue, quase metade não procurou atendimento especializado.

Essa tendência de subestimar os sintomas é observada em casos reais. A cantora Preta Gil relatou ter passado seis meses com prisão de ventre intensa e alterações nas fezes — incluindo muco, sangue e mudança no formato — sem associar o quadro a um tumor. De forma semelhante, o administrador Paulo atribuiu sangramentos retais à alimentação ou a hemorroidas, um equívoco comum que, segundo Drauzio Varella, deve ser evitado, pois nem todo sangramento retal provém de hemorroidas.

Aumento de casos em adultos jovens

Embora a doença seja historicamente associada a pessoas com mais de 50 anos, há um crescimento nos diagnósticos entre adultos mais jovens. No estado de São Paulo, os casos em indivíduos com menos de 50 anos registraram um aumento anual de quase 3% entre 2000 e 2023.

Ainda não existe uma causa definitiva para esse avanço, mas as principais hipóteses apontam para o estilo de vida moderno, com destaque para o sedentarismo e a alimentação inadequada.

Estratégias de rastreamento e prevenção

Para reverter o cenário de diagnósticos tardios, a implementação de um novo protocolo nacional de rastreamento do câncer colorretal prevê a oferta de exames pelo SUS para a população entre 50 e 75 anos.

O foco está no teste imunológico fecal (FIT), capaz de detectar o sangue oculto nas fezes, invisível a olho nu. Atualmente, dois terços dos brasileiros desconhecem a existência desse recurso. O FIT apresenta uma sensibilidade superior a 95% na triagem; quando o resultado é positivo, o paciente é encaminhado para a colonoscopia, exame que confirma a patologia e possibilita a remoção de pólipos antes que evoluam para tumores.

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