Hospital de Campinas admite erro em cirurgia realizada em paciente de 76 anos
Jandira Marina Dias Braga, de 76 anos, morreu após ser submetida a uma gastrostomia endoscópica indevida no Hospital Beneficência Portuguesa de Campinas. A instituição admitiu o erro, instaurou sindicância interna e aplicou medidas administrativas, incluindo desligamentos
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Uma paciente de 76 anos, identificada como Jandira Marina Dias Braga, morreu após ser submetida a um procedimento cirúrgico por equívoco no Hospital Beneficência Portuguesa de Campinas. A mulher estava internada desde junho para tratar uma obstrução intestinal decorrente da recidiva de um câncer de cólon, mas foi encaminhada ao centro cirúrgico para a realização de uma gastrostomia endoscópica, intervenção que não fazia parte de seu plano terapêutico.
O óbito ocorreu três dias após a cirurgia. Em nota oficial, a instituição hospitalar admitiu a ocorrência de um evento adverso e informou que a avaliação técnica posterior concluiu que o procedimento equivocado não alterou o prognóstico da paciente. O hospital instaurou uma sindicância interna para revisar os protocolos de segurança, encaminhou o caso aos conselhos profissionais e aplicou medidas administrativas contra os envolvidos, incluindo desligamentos.
O procedimento de gastrostomia
A gastrostomia consiste na criação de um orifício na parede do estômago para a inserção de uma sonda, permitindo a alimentação do paciente ou a drenagem de líquidos e conteúdos do órgão. Diferente do tratamento oncológico propriamente dito, essa cirurgia atua como um suporte ao paciente.
As indicações para esse procedimento incluem:
- Obstruções abdominais causadas por tumores (como o de ovário) que não podem ser resolvidas cirurgicamente;
- Câncer de cabeça e pescoço, nos casos em que a quimioterapia ou radioterapia dificultam a deglutição;
- Cuidados paliativos, quando a alimentação por via oral torna-se inviável.
Tratamento do câncer de intestino e recidiva
No caso de câncer de intestino, a conduta médica padrão envolve a remoção do tumor e do tecido lesionado. Após a cirurgia, realiza-se o estadiamento para verificar a extensão da doença, o que define a necessidade de terapias complementares, como a imunoterapia ou a quimioterapia. De acordo com a família de Jandira, ainda não havia sido definida a conduta médica para o tratamento do câncer no momento da internação.
A paciente enfrentava uma recidiva, que é o reaparecimento da doença após um tratamento inicialmente bem-sucedido. Esse fenômeno ocorre devido a micrometástases — pequenos focos da doença que permanecem no organismo sem serem detectados por exames de imagem e se multiplicam ao longo de meses ou anos, originando um novo tumor.
Riscos em pacientes fragilizados
A condição de saúde de pacientes idosos, com doenças crônicas ou em estado de recidiva, torna-os mais vulneráveis a qualquer intervenção cirúrgica. A fragilidade decorre do comprometimento da capacidade imunológica e de funções vitais mais sensíveis a intercorrências. Por isso, a decisão por qualquer procedimento exige uma análise rigorosa da relação entre o risco e o benefício, visando evitar a exposição do paciente a perigos adicionais desnecessários.