Saúde

Mulheres com síndrome ovariana metabólica poliendócrina têm risco maior de desenvolver eventos cardiovasculares graves

23 de Julho de 2026 às 07:33

Mulheres com síndrome ovariana metabólica poliendócrina (SOMP) têm risco 4,4 vezes maior de sofrer eventos cardiovasculares graves, segundo estudo com 400 mil pacientes dos Estados Unidos publicado na The Lancet. A condição, ligada à resistência à insulina, eleva as chances de infarto e AVC independentemente de fatores como idade ou diabetes

Mulheres diagnosticadas com a síndrome ovariana metabólica poliendócrina (SOMP) apresentam um risco 4,4 vezes maior de desenvolver eventos cardiovasculares graves, como infarto, AVC e doença arterial periférica, em comparação a mulheres sem a condição. A conclusão foi publicada na revista científica The Lancet Obstetrics, Gynaecology & Women's Health.

O estudo analisou dados de mais de 400 mil mulheres, com idades entre 18 e 50 anos, provenientes de um banco de dados dos Estados Unidos. A pesquisa focou na ocorrência de doença cardiovascular aterosclerótica (DCVA), caracterizada pelo acúmulo de placas de gordura que estreitam as artérias.

Impacto metabólico e risco cardíaco

A SOMP, que até maio de 2026 era denominada como síndrome dos ovários policísticos (SOP), é uma das condições hormonais mais frequentes em mulheres em idade reprodutiva. Embora seja frequentemente associada a sintomas ginecológicos, como acne, aumento de pelos, menstruação irregular e dificuldade para engravidar, a síndrome é, na verdade, uma condição metabólica e hormonal abrangente.

O principal motor desse risco é a resistência à insulina, presente em 85% dos casos, incluindo 75% das mulheres magras. Essa falha na resposta celular ao hormônio que controla o açúcar no sangue desencadeia a produção excessiva de andrógenos e altera hormônios como o luteinizante (LH) e o AMH. Esse processo gera um conjunto de complicações que incluem:

  • Obesidade e gordura no fígado;
  • Diabetes tipo 2 e pré-diabetes;
  • Hipertensão e colesterol elevado.

Um dado central da pesquisa é que o risco cardiovascular elevado persiste mesmo quando os pesquisadores isolaram fatores tradicionais, como histórico familiar, idade ou a presença de diabetes e hipertensão. Isso indica que a SOMP, por si só, exige atenção redobrada à saúde do coração.

Prevenção e diagnóstico precoce

Desde 2023, recomendações internacionais orientam que a avaliação do risco cardiovascular seja feita logo no diagnóstico da SOMP. No entanto, essa prática ainda não está consolidada na rotina médica. Como a síndrome costuma ser identificada na juventude, o monitoramento cardiológico deve começar precocemente, sem esperar que a paciente atinja a idade habitual de surgimento de doenças cardíacas.

A urgência desse rastreamento é acentuada pelo cenário brasileiro, onde as doenças cardiovasculares representam a principal causa de morte entre as mulheres.

Diante dos resultados, os autores do estudo defendem a implementação de políticas públicas de saúde e a capacitação de profissionais para garantir atendimentos precoces. A adoção de hábitos de vida saudáveis é apontada como a primeira linha de cuidado para reduzir os riscos a longo prazo.

Apesar da robustez do volume de dados, a análise possui limitações, pois baseou-se em bancos de dados e não no acompanhamento direto de pacientes, além de ter um recorte geográfico específico, demandando a confirmação desses padrões em outras populações por meio de pesquisas locais.

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