Saúde

OMS declara emergência internacional por surto de Ebola na República Democrática do Congo

18 de Maio de 2026 às 06:17

A OMS declarou emergência de interesse internacional por surto de Ebola na República Democrática do Congo, que registra 80 mortes e 250 casos suspeitos. A variante Bundibugyo não possui vacinas ou tratamentos aprovados e apresenta risco de propagação para países vizinhos

OMS declara emergência internacional por surto de Ebola na República Democrática do Congo
Getty Images via BBC

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência de interesse internacional devido a um surto de Ebola na República Democrática do Congo, embora o risco global permaneça baixo e a situação não configure os estágios iniciais de uma pandemia. A medida visa evitar a repetição do cenário ocorrido entre 2014 e 2016, quando o oeste da África registrou quase 30 mil infectados, o maior surto do continente.

Até o momento, a República Democrática do Congo contabiliza 80 mortes confirmadas e 250 casos suspeitos. Em Uganda, houve a confirmação de uma pessoa infectada e um óbito. O risco de propagação é considerado significativo para países vizinhos como Ruanda, Sudão do Sul e Uganda, devido ao intenso fluxo de viagens e trocas comerciais.

O surto atual é provocado pela espécie Bundibugyo, uma variante rara do vírus que apresenta desafios técnicos específicos. Diferente de outras linhagens de Ebola, não existem vacinas ou tratamentos medicamentosos aprovados para o Bundibugyo, apenas opções experimentais. Além disso, os testes de diagnóstico iniciais mostraram-se ineficazes, exigindo ferramentas laboratoriais sofisticadas para a confirmação do vírus, o que resultou em um atraso na detecção. O primeiro caso foi registrado em uma enfermeira no dia 24 de abril, mas a confirmação do surto levou três semanas, permitindo que a transmissão ocorresse sem controle por um período considerável.

A espécie Bundibugyo, que causou surtos anteriores em 2007 e 2012, mata aproximadamente um terço dos infectados. A doença, transmitida por fluidos corporais após o surgimento dos sintomas, inicia-se com febre, cansaço e dor de cabeça, evoluindo para vômitos, diarreia, falência de órgãos e, em alguns casos, hemorragias internas e externas. Os sintomas manifestam-se entre dois e 21 dias após a infecção. Na ausência de fármacos específicos, a sobrevivência depende de cuidados otimizados, como nutrição, controle de fluidos e manejo da dor.

O controle da propagação enfrenta obstáculos severos devido à guerra civil na República Democrática do Congo, que já deslocou 250 mil pessoas. A mobilidade populacional em cidades mineradoras e o trânsito entre comunidades e fronteiras elevam o risco de disseminação.

Para conter o avanço do vírus, as autoridades focam na identificação de infectados e no rastreamento de contatos. As estratégias incluem a prevenção de contágios em hospitais e centros de tratamento, onde a carga viral é mais alta, além da implementação de protocolos de enterros seguros. Embora a situação exija coordenação internacional, a República Democrática do Congo possui maior experiência e uma resposta estrutural mais robusta do que a observada há dez anos.

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