OMS inicia reunião anual em Genebra sob instabilidade financeira e saída de países membros
Estados-membros da Organização Mundial da Saúde reúnem-se em Genebra, de 18 a 23 de maio, para decidir sobre a arquitetura da saúde global e a eleição do novo diretor-geral. A pauta inclui surtos de ebola e hantavírus, além das notificações de saída dos Estados Unidos e da Argentina. O encontro ocorre sob cortes orçamentais e impasse na redação do tratado sobre pandemias de 2025
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Os Estados-membros da Organização Mundial da Saúde (OMS) iniciam nesta segunda-feira (18), em Genebra, a reunião anual de tomada de decisões, que se estende até sábado (23). O encontro ocorre em um cenário de instabilidade institucional, marcado por cortes orçamentários, redução do quadro de funcionários e a incerteza sobre a permanência de nações fundamentais na organização.
A agenda de discussões será fortemente influenciada por crises sanitárias recentes, como o novo surto de ebola na República Democrática do Congo e a propagação do hantavírus em um cruzeiro, evento que, embora não conste oficialmente na pauta, deve ter papel central nos debates. Para a codiretora do Centro de Saúde Global do Instituto de Pós-Graduação de Genebra, Surie Moon, o episódio do hantavírus evidencia a necessidade de a OMS ser imparcial, confiável e possuir financiamento previsível.
A fragilidade financeira e política da entidade é acentuada pelas notificações de retirada dos Estados Unidos e da Argentina. O governo americano formalizou a saída em janeiro de 2025, no início do segundo mandato de Donald Trump, respeitando a condição de aviso prévio de um ano estabelecida na adesão do país em 1948. Contudo, Washington ainda possui uma dívida de quase 260 milhões de dólares referente às contribuições de 2024 e 2025. A Argentina seguiu a iniciativa dos Estados Unidos pouco tempo depois.
Enquanto a OMS não confirmou oficialmente as desistências — já que sua constituição não prevê cláusulas de retirada —, o conselho executivo recebeu, em janeiro, uma resolução de Israel para aprovar a saída argentina. No caso dos Estados Unidos, diplomatas e observadores sugerem a manutenção de uma "zona cinzenta" sobre a efetivação do abandono.
No campo diplomático, a divergência entre nações desenvolvidas e em desenvolvimento travou a redação do tratado sobre pandemias de 2025, e a expectativa agora é que as negociações se prolonguem por mais um ano. Paralelamente, a assembleia deve discutir a reforma da "arquitetura da saúde global" para integrar melhor as organizações do setor. A ministra da Saúde do Canadá, Marjorie Michel, avalia que a saída de atores-chave abre espaço para a OMS reexaminar sua estratégia com os membros.
Um dos pontos críticos dessa reestruturação é a tentativa de preservar temas sensíveis, como direitos à saúde sexual e reprodutiva e questões climáticas, diante da queda no financiamento internacional. Thiru Balasubramaniam, da ONG Knowledge Ecology International, aponta que a organização já começou a reduzir atividades nessas áreas.
A semana em Genebra também será marcada por resoluções complexas sobre o Irã, a Ucrânia e os territórios palestinos, além do início do processo para a eleição do novo diretor-geral, prevista para o próximo ano. Embora Tedros Adhanom Ghebreyesus tenha afirmado no fim de abril que a organização está estável e avançando, a mobilização de recursos para os próximos dois anos ainda é vista como um processo delicado.