Polícia Civil apura se crise convulsiva causou a morte do jornalista Caíque Verli
A Polícia Civil do Espírito Santo investiga se o jornalista Caíque Verli, de 33 anos, morreu devido a uma crise convulsiva. O repórter da TV Gazeta tinha histórico de convulsões e estava em tratamento medicamentoso. A confirmação do óbito aguarda a conclusão de exames periciais
A Polícia Civil do Espírito Santo apura se a morte do jornalista Caíque Verli, de 33 anos, integrante da equipe da TV Gazeta, foi causada por uma crise convulsiva. Diligências realizadas no apartamento do repórter indicam que o óbito ocorreu por questões de saúde, embora a confirmação oficial dependa da conclusão dos exames periciais. Verli possuía histórico de convulsões, estava sob tratamento medicamentoso nos últimos meses e realizava exames para identificar a origem dos episódios.
O funcionamento das convulsões
A convulsão ocorre devido a uma descarga elétrica anormal e excessiva no cérebro, que interrompe temporariamente a função dos neurônios. Esse fenômeno, comparado a um "curto-circuito" cerebral, descoordena a atividade do sistema nervoso.
Dependendo da área cerebral afetada, as manifestações variam. Algumas pessoas podem apresentar apenas alterações discretas de comportamento, olhar fixo ou movimentos involuntários em partes específicas do corpo, mantendo a consciência. Já a crise tônico-clônica generalizada provoca a perda de consciência, queda, rigidez muscular e abalos involuntários, seguidos de um período de sonolência ou confusão mental.
Diferença entre convulsão e epilepsia
Embora frequentemente associadas, a epilepsia é definida pela recorrência de crises, enquanto uma convulsão isolada pode ser desencadeada por diversas condições clínicas, sem que o paciente possua a doença. Entre as causas mais comuns estão:
- Acidente vascular cerebral (AVC) e traumatismos cranianos;
- Tumores cerebrais e falta de oxigênio no cérebro;
- Meningite e outras infecções do sistema nervoso;
- Hipoglicemia;
- Intoxicações ou a suspensão e uso de certos medicamentos.
Existem também as crises sintomáticas agudas, provocadas por eventos recentes no cérebro, como traumas ou sangramentos.
Sinais e sintomas durante a crise
O episódio mais conhecido inicia-se subitamente com a perda de consciência e rigidez muscular. Movimentos repetitivos e involuntários dos membros costumam durar entre um e dois minutos. Durante esse intervalo, podem ocorrer:
- Salivação intensa e mordida na língua;
- Olhar parado ou olhos revirados;
- Perda do controle urinário ou fecal;
- Dificuldade respiratória momentânea.
Após a crise, é comum que o paciente apresente desorientação e cansaço, com uma recuperação que pode levar de minutos a algumas horas.
Primeiros socorros e orientações
O Ministério da Saúde e a Associação Brasileira de Epilepsia recomendam manter a calma e adotar as seguintes medidas de segurança:
- Proteger a cabeça com algo macio, como uma peça de roupa;
- Afastar móveis e objetos que possam causar ferimentos;
- Posicionar a vítima de lado após cessarem os movimentos, evitando engasgos com vômito ou saliva e facilitando a respiração;
- Acompanhar a pessoa até que a consciência seja totalmente recuperada.
É fundamental não conter os movimentos do corpo nem inserir dedos ou objetos na boca da vítima. A crença de que alguém pode "engolir a língua" é falsa; tentar abrir a boca à força pode causar fraturas dentárias, lesões na mandíbula e ferimentos em quem socorre.
Quando buscar atendimento médico urgente
O acionamento do Samu (192) é indicado em crises prolongadas ou quando há ferimentos. Toda primeira convulsão deve ser avaliada em emergência. O atendimento imediato também é necessário se:
- A crise ultrapassar cinco minutos ou se uma nova começar antes do término da anterior;
- A consciência não for recuperada após o episódio;
- Houver traumatismo ou queda grave;
- A paciente estiver gestante;
- Houver dificuldade respiratória pós-crise.
Para pacientes com diagnóstico de epilepsia e tratamento controlado, a urgência médica dependerá da duração do evento, de possíveis lesões e da qualidade da recuperação.
Tratamento e controle
O uso de medicamentos anticonvulsivantes reduz as descargas elétricas anormais e previne novos episódios, permitindo o controle das crises na maioria dos casos, mesmo quando não há cura definitiva. Em situações de lesões cerebrais localizadas, a cirurgia pode ser indicada. O controle rigoroso do quadro é essencial para reduzir riscos de afogamentos, quedas e traumatismos.