Tecnologia

CFM International desenvolve motor de hélice aberta para aumentar a eficiência energética em 20%

21 de Julho de 2026 às 06:20

A CFM International finalizou as revisões de design do programa RISE, que desenvolve o motor de hélice aberta Open Fan para aeronaves de fuselagem estreita. O sistema busca elevar a eficiência energética em 20%, com previsão de voo de demonstração em 2029 e operação comercial na segunda metade da década de 2030

CFM International desenvolve motor de hélice aberta para aumentar a eficiência energética em 20%
CFM

A CFM International, joint venture entre a GE Aerospace e a Safran, concluiu as primeiras revisões de design do programa RISE (Revolutionary Innovation for Sustainable Engines). O projeto foca no desenvolvimento do Open Fan, um motor de hélice aberta que visa aumentar a eficiência energética em 20% em comparação aos modelos atuais.

O sistema elimina a carcaça externa do ventilador, permitindo a utilização de hélices maiores e com menor resistência ao vento. Para viabilizar a operação em altitudes e velocidades semelhantes às dos motores a jato convencionais, a arquitetura utiliza as Pás de Saída (OGV), uma fileira de pás posicionada atrás do ventilador para organizar o fluxo de ar.

Desempenho e Testes Técnicos

O Open Fan foi projetado especificamente para aeronaves de fuselagem estreita, como o Boeing 737 e o Airbus A320, que operam ciclos frequentes de voos curtos e médios. O diferencial técnico reside na relação de empuxo de aproximadamente 60:1, o que reduz drasticamente a queima de combustível em operações de sucessivas decolagens e pousos.

A etapa atual de desenvolvimento validou componentes críticos, como as pás guia, o núcleo compacto e as pás do motor. Os testes já incluíram:

  • Mais de 2.000 ciclos de ingestão de poeira nas pás da turbina de alta pressão;
  • Superação das metas acústicas em testes de vibração, gelo, fadiga e ingestão de objetos;
  • Acúmulo de 1.000 horas de testes na primeira turbina de baixa pressão de alta velocidade.

Cronograma e Desafios de Implementação

Apesar dos avanços, a tecnologia resgata conceitos dos anos 80, como o GE36, que foi descartado na época devido ao excesso de ruído, limitações na velocidade de cruzeiro e a ausência de uma carcaça de proteção em caso de quebra de pás.

O cronograma de validação do protótipo prevê:

  1. 2027: Testes em terra em escala real na França, conduzidos pela Safran em Villaroche.
  2. 2029: Voo de demonstração utilizando um Airbus A380 como laboratório voador.
  3. Segunda metade da década de 2030: Previsão de entrada em operação comercial.

Reação do Mercado e Alternativas

A adoção do sistema gera cautela nos principais fabricantes de aeronaves. A Boeing mantém-se aguardando novos progressos do RISE, demonstrando preferência por motores convencionais com carcaça para o sucessor do 737 MAX. Já a Airbus não confirmou a integração do motor no substituto do A320neo, pois a arquitetura do Open Fan poderia restringir as companhias aéreas a um único fornecedor de propulsão.

Paralelamente ao projeto RISE, as empresas desenvolvem tecnologias de propulsão elétrica. A GE finalizou dois testes de motores híbrido-elétricos no último ano, enquanto a Safran iniciou os testes em terra com a bateria PHILEAS em sua unidade de Istres.

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