Drone submarino movido a hidrogênio inicia testes para proteger infraestruturas críticas no Mar Báltico
As empresas Euroatlas e EvoLogics iniciaram em abril de 2026 os testes do drone submarino Greyshark Foxtrot no Mar Báltico. Movido por células de hidrogênio, o veículo possui autonomia de 16 semanas, nível 5 de autonomia e sensores para identificar objetos menores que 2 centímetros. O sistema visa a proteção de infraestruturas críticas, como cabos de dados e gasodutos

A Euroatlas, de Bremen, em parceria com a EvoLogics, de Berlim, iniciou em abril de 2026 os testes em água do Greyshark Foxtrot. As operações ocorreram inicialmente na costa de Damp, próximo a Kiel, no Báltico alemão, e foram expandidas na semana seguinte no Centro de Experimentação de Segurança do Fundo Marinho (SeaSEC), em Rostock.
O drone submarino foi projetado para responder à vulnerabilidade de infraestruturas críticas, como gasodutos, oleodutos e cabos de dados, que transportam 95% do tráfego internacional de internet. A urgência do sistema reflete incidentes ocorridos entre novembro e dezembro de 2024, quando navios da "frota sombra" russa danificaram cinco cabos no Mar Báltico e no Mar do Norte, possivelmente utilizando âncoras para atingir estruturas no fundo do mar.
Diferente do modelo Greyshark Bravo — que utiliza baterias e é voltado para missões curtas —, o Foxtrot é movido por células de combustível de hidrogênio. Essa tecnologia, adaptada da indústria automotiva, permite que o veículo permaneça submerso por até 16 semanas sem a necessidade de emergir, recarregar ou manter contato com operadores. A escolha pelo hidrogênio elimina a combustão e reduz drasticamente a assinatura térmica e acústica, tornando o drone difícil de ser detectado durante patrulhas.
Em termos de desempenho, o Foxtrot atinge 10 nós de velocidade máxima, reduzindo a autonomia para seis dias, enquanto em velocidade de cruzeiro de 4 nós, seu alcance chega a 10.700 milhas náuticas. Com peso de 4,5 toneladas e comprimento entre 7 e 8 metros, o sistema é indicado para regiões remotas, como o Ártico, onde a recuperação frequente do equipamento é inviável.
O veículo opera com Nível 5 de autonomia, a categoria máxima do setor, utilizando inteligência artificial para reconhecimento automático de alvos, desvio de obstáculos e adaptação de missões em tempo real. Equipado com 17 sensores — incluindo LiDAR, ecossondador multifeixe, sonar de abertura sintética e sensores ópticos e eletromagnéticos —, o drone alcança uma resolução de imagem de 1,6 polegada por pixel. Essa precisão permite a identificação de objetos menores que 2 centímetros, como garrafas de água ou minas submarinas.
A capacidade de varredura é exemplificada pela possibilidade de mapear todo o Estreito de Ormuz, rota por onde transita 20% do petróleo mundial, em apenas 24 horas utilizando seis unidades operadas por um único técnico em terra. Essa eficiência elimina a necessidade de mergulhadores ou navios tripulados em áreas perigosas, como em cenários de minagem de canais.
Para a comunicação, a EvoLogics implementou modems acústicos com modulação inspirada em golfinhos, permitindo a criação de redes mesh submarinas onde os drones atuam como repetidores. Caso a missão exija sigilo total, o Foxtrot pode operar em silêncio absoluto, armazenando dados para transmissão posterior em áreas seguras.
O desenvolvimento do sistema visa preencher a lacuna da consciência marítima persistente, substituindo a vigilância por navios de guerra — que são caros, previsíveis e consomem combustível — por uma presença discreta e autônoma em portos, estreitos e áreas militares sensíveis.