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IA invade setores financeiros e faz índices de mercado recuarem 4,8% em uma semana

14 de Fevereiro de 2026 às 18:34

A indústria financeira sofreu queda de 4,8% (S&P 500 Financials) e 5,5% (KBW Bank Index), após investidores reagirem ao uso da inteligência artificial em serviços financeiros. Ferramentas como a Altruist Corp. ajudam assessores a personalizar estratégias para clientes, enquanto o ChatGPT é usado para comparar preços de seguro automotivo. Profissionais do setor debatem se a IA elevará ou danificará os negócios financeiros

A IA invade o setor financeiro e traz caos em sua esteira. Enquanto os profissionais da área se reuniam em Miami para discutir resultados sólidos e pipelines robustos de operações, a disrupção via inteligência artificial roubou a cena.

O movimento começou com uma ferramenta apresentada pela startup Altruist Corp., que auxilia assessores financeiros a personalizar estratégias para clientes e gerar holerites, extratos e outros documentos. Investidores já haviam liquidado ações de corretoras de seguros após o marketplace online Insurify lançar um aplicativo que utiliza o ChatGPT da OpenAI para comparar preços de seguro automotivo.

A tendência das últimas semanas é que o receio em relação à IA passou a contaminar praticamente todos os elos do sistema financeiro. O índice S&P 500 Financials recuou 4,8% na semana, enquanto o KBW Bank Index caiu 5,5%. Gestoras de patrimônio, corretoras de seguros e grandes bancos sofreram perdas relevantes.

Executivos foram obrigados a defender suas teses quase em tempo real. "Acredito que a IA vai elevar a qualidade do aconselhamento e ajudar os assessores a ganhar escala, atendendo mais clientes de forma mais eficiente com o mesmo conjunto de recursos", afirmou Jed Finn, responsável pela área de gestão de fortunas do Morgan Stanley.

No entanto, muitos profissionais da área alertam que parte das vendas pode refletir uma reação automática e exagerada. "Podem me chamar de cético", afirmou Stephen Biggar, diretor de pesquisa em serviços financeiros da Argus Research. "O mercado reage a esses anúncios, mas o caso de uso costuma ser bem diferente do que se imagina."

A guinada de percepção - de ferramenta de crescimento para potencial destruidora de setores inteiros - começou no fim do ano passado. A indústria de software conviveu com temores sobre o que está por vir, e um índice que acompanha ações de software atingiu pico em 22 de setembro e acumula queda de 30% desde então.

Para Ken Barry, chefe de private equity europeu do escritório White & Case, os investidores precisarão começar a separar as companhias realmente vulneráveis daquelas que devem atravessar a turbulência sem danos estruturais. "A reação foi indiscriminada e precisa ser muito mais seletiva", afirmou.

Enquanto isso, os profissionais de Wall Street continuam tentando entender o real significado do movimento da IA no setor financeiro. A questão é: será que a inteligência artificial vai elevar a qualidade dos serviços ou causar danos irreparáveis aos negócios?.
Com informações de InvestNews

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