JCB Hydromax tentará bater recorde de velocidade para veículos a hidrogênio em agosto de 2026
O britânico JCB Hydromax tentará bater o recorde de velocidade para veículos a hidrogênio em agosto de 2026, em Utah. Conduzido por Andy Green, o carro de 1.600 hp busca superar a marca de 350 mph

A FIA anunciou que o britânico JCB Hydromax tentará estabelecer o novo recorde de velocidade para veículos movidos a hidrogênio em terra firme. A tentativa está programada para agosto de 2026, durante a Bonneville Speed Week, nas planícies de sal de Bonneville, em Utah. O objetivo oficial é superar a marca de 350 mph (563 km/h), embora a equipe trabalhe internamente com a meta mais ambiciosa de 400 mph (643 km/h).
O Hydromax funciona como uma vitrine tecnológica para a combustão interna a hidrogênio, posicionando-se em uma disputa industrial contra a tecnologia de células de combustível, utilizada em modelos como o Toyota Mirai e o Hyundai Nexo. O veículo, com formato de *streamliner* para reduzir o arrasto aerodinâmico, possui 9,75 metros de comprimento e é equipado com dois motores derivados de produtos comerciais da JCB. Essas unidades, originalmente a diesel, foram adaptadas para queimar hidrogênio, entregando uma potência combinada de 1.600 hp.
A missão será conduzida por Andy Green, ex-comandante da Royal Air Force e detentor do recorde absoluto de velocidade terrestre desde 1997, quando atingiu 1.227 km/h com o Thrust SSC. Green também possui a marca de 350,092 mph (563 km/h) alcançada em 2006 com o JCB Dieselmax. O projeto atual carrega um simbolismo duplo, pois busca bater o próprio recorde de Green com o veículo a diesel da mesma fabricante, utilizando agora o gás hidrogênio.
Para a homologação do recorde, Green deverá percorrer uma milha medida em direções opostas dentro de uma hora, sendo a média das duas passagens o valor oficial. O sucesso da operação depende da consistência do veículo e das condições do salar de Utah, que tem enfrentado degradação superficial e chuvas. A pista, que possui cerca de 12 km de extensão plana, precisa de inspeção técnica e autorização da FIA.
Do ponto de vista técnico, a queima de hidrogênio em motores de combustão interna pode gerar óxidos de nitrogênio (NOx). Embora a emissão seja inferior à do diesel, a tecnologia requer sistemas de tratamento de exaustão para cumprir normas como a Euro 7. Apesar disso, o hidrogênio verde é visto como essencial para a descarbonização de setores como mineração, navegação e aviação, embora a escala global da cadeia logística de distribuição ainda seja um gargalo.
A aplicação dessa tecnologia tem reflexos diretos em máquinas pesadas, nicho explorado globalmente pela JCB. No Brasil, a transição energética para ônibus, caminhões e máquinas agrícolas pode ser favorecida pela capacidade singular de produzir hidrogênio verde via eletrólise, aproveitando a matriz energética renovável e o excesso de eletricidade em horários específicos, conforme dados do CNPEM.